Supremo enfraquecido por falta de decisão O Supremo Tribunal Federal (STF) saiu como o principal prejudicado da sessão que não definiu a possibilidade de investigar o ministro Alexandre de Moraes no Caso Master. A avaliação é do professor de Direito Constitucional Elival Ramos, da Faculdade de Direito da USP. Em entrevista ao programa VEJA em Foco, Ramos destacou que o episódio evidenciou as divisões internas da Corte e contribuiu para a paralisação de investigações. Críticas aos argumentos e ao formato do debate Robson Bonin, colunista do Radar, introduziu o debate questionando o impacto da ausência de decisão na crise institucional do Supremo. Elival Ramos reforçou que o STF foi "o grande perdedor", descrevendo a sessão como um "pugilato jurídico" que expôs uma Corte "cada vez mais politizada, dividida em grupos internos". O professor criticou o uso de argumentos focados em "formato jurídico" em detrimento da deliberação direta das questões, e a invocação de conceitos como "avocatória" para adiar a análise. Declaração de Flávio Dino levanta polêmica Ramos também comentou a declaração do ministro Flávio Dino sobre a "corrupção no Poder Judiciário". O professor considerou a afirmação grave e paradoxal, dado o pedido de vista de Dino que posterga a discussão no STF. "Se corresponde à realidade, o Supremo deveria dar o exemplo e examinar as questões com a maior rapidez possível", afirmou, sugerindo que associações de magistrados fossem consultadas sobre a extensão da fala de Dino. Desgaste institucional e credibilidade da Corte Para o constitucionalista, o desgaste da imagem do STF não é um fenômeno recente. Ele apontou problemas de longa data, como o inquérito das fake news, corporativismo, relações com o Executivo e ativismo judicial, como fatores que corroem gradualmente a credibilidade da Corte. A crise atual, segundo Ramos, deve ser vista como parte de um processo mais amplo de enfraquecimento institucional.