Aumento do Barril de Petróleo Ameaça a Produção Industrial A recente escalada do preço do petróleo no mercado internacional, ultrapassando a marca dos US$ 100 o barril, tem gerado preocupação em diversos setores da economia brasileira. Em resposta, o governo Lula anunciou a ampliação de subsídios para gasolina e diesel, visando amenizar o impacto no bolso do consumidor e no custo do transporte de cargas. No entanto, para a indústria, essa medida representa um alívio limitado, pois não aborda a complexa cadeia de custos que deriva do petróleo. Subsídios Insuficientes para a Cadeia Produtiva André Rebelo, diretor de assuntos estratégicos da Fiesp, ressalta que os subsídios atuais se restringem a combustíveis como gasolina e diesel, que representam apenas uma fração do consumo de derivados de petróleo pela indústria. "A subvenção não ajuda de forma relevante", afirma Rebelo. A indústria utiliza uma vasta gama de derivados do petróleo como matéria-prima e fonte de energia em seus processos produtivos. Gás, nafta, coque, resinas plásticas e fibras sintéticas são exemplos de insumos que continuarão a ter seus preços pressionados pela alta do barril. Impacto Generalizado na Inflação Industrial Ricardo Alban, presidente da CNI, corrobora a visão de que os subsídios têm um alcance restrito. "Os subsídios ajudam a atenuar o impacto, mas não eliminam o choque, já que a alta do petróleo afeta outros derivados que não só os combustíveis e o transporte", explica. A Fiesp estima que um aumento de 10% no preço do barril de petróleo resulte em uma elevação de 2% nos preços ao produtor industrial, em média. Com o barril em alta de cerca de 40% desde junho, a expectativa é de repasses de custos, impactando a margem de lucro das empresas ou, consequentemente, os preços finais ao consumidor. Setores Industriais Mais Expostos à Volatilidade do Petróleo Diversos setores da indústria são particularmente vulneráveis às flutuações do preço do petróleo. Entre eles estão o refino de petróleo, minerais não metálicos (como cimento e vidro), siderurgia, química, celulose, alimentos, borracha e plásticos. Esses segmentos utilizam derivados de petróleo de forma mais intensa em seus processos produtivos, tornando-os mais expostos aos efeitos da alta do barril e da instabilidade geopolítica no Oriente Médio, que tem intensificado ataques e bloqueado exportações. A decisão do governo de desonerar impostos e subsidiar combustíveis, com um custo estimado de R$ 7 bilhões em um mês, pode oferecer um respiro momentâneo, mas a preocupação com a inflação de produtos industriais permanece.