Um Ato de Coragem em Meio ao Caos Quando a fúria da natureza atingiu a Usina Hidrelétrica Upper Trishuli 3A, no Nepal, Sanjay Sah, um encarregado mecânico de 30 anos, se viu diante de uma escolha crucial: fugir ou permanecer. Ele optou por ficar. Nove dias depois do desastre que devastou o vale com uma avalanche de gelo, pedras e detritos, Sah foi resgatado, trazendo um sopro de esperança às buscas por milhares de desaparecidos. O Dever Acima da Própria Segurança “Minha responsabilidade era salvar a vida de todos. Quando aconteceu um acidente tão grande, não seria certo fugir”, declarou Sah, visivelmente debilitado, mas com a voz firme, em um vídeo divulgado pelas autoridades nepalesas. Ele se encontrava na sala de controle, dentro de um túnel, onde naquele dia deveriam estar reunidas entre 40 e 45 pessoas, um número significativamente maior que o habitual. Ao perceber o perigo iminente vindo rio acima, Sah ainda conseguiu alertar outros para que fugissem, mas o tempo para sua própria evasão se esgotou. Nove Dias de Escuridão e Fé Preso no escuro do túnel por nove dias, Sah se agarrou à esperança, recitando mantras para manter o ânimo. Ele conseguiu estabelecer contato com outros três ou quatro trabalhadores em algum ponto da complexa rede de túneis. As autoridades estimam que pelo menos 900 pessoas possam estar presas em túneis ligados a seis projetos hidrelétricos ao longo do rio Trishuli, e a possibilidade de mais sobreviventes presos mais profundamente na montanha não foi descartada. Primeiros Resgatados e o Cenário Devastador Sanjay Sah e Kabir Maharjan, outro supervisor mecânico, são os primeiros trabalhadores de projetos hidrelétricos a serem resgatados com vida. Um pequeno grupo conseguiu escapar de outro túnel poucas horas após o desastre inicial. O resgate de Sah, carregado nas costas de um socorrista com o rosto coberto de lama, foi capturado em imagens divulgadas pelo Exército do Nepal. O desastre, que ocorreu próximo à fronteira com a China, já deixou um rastro de destruição no Nepal, com pelo menos 1.287 mortos, 5.083 desaparecidos e milhares de desabrigados. Na região chinesa do Tibete, foram contabilizadas 21 mortes e 541 desaparecidos. Sah e Maharjan foram encaminhados para a unidade de terapia intensiva de um hospital militar em Katmandu.