Decisão por 6 votos a 1: Candidatura de Márcio Canella é mantida pelo TRE-RJ O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) decidiu, nesta terça-feira (data específica não informada na fonte), manter a candidatura de Márcio Canella (União Brasil) a deputado estadual. A decisão, tomada por 6 votos a 1, reverteu um indeferimento anterior e acolheu o recurso apresentado pela defesa do ex-prefeito de Belford Roxo. Procuradoria Eleitoral mudou posicionamento e apontou ligações com milícias O caso ganhou contornos de polêmica após a Procuradoria Regional Eleitoral (PRE) alterar sua posição no processo. Inicialmente favorável ao registro da candidatura, a PRE passou a defender o indeferimento com base em indícios de ligação de Canella com grupos de milícia atuantes na Baixada Fluminense. A estrutura citada pela Procuradoria envolve o candidato com Fábio Augusto de Oliveira Brasil, o Fabinho Varandão, e Luiz Eduardo Santos de Araújo, ambos com candidaturas indeferidas anteriormente pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por envolvimento com milícias armadas. Diligências e novas provas levantaram suspeitas Após o TRE-RJ determinar novas diligências, incluindo requisições ao Supremo Tribunal Federal (STF), Polícia Federal e órgãos de inteligência, a Procuradoria apresentou novos elementos. Entre eles, destacam-se relações político-administrativas e eleitorais de Canella com Fabinho Varandão e Luiz Eduardo Santos de Araújo, que ocuparam secretarias de primeiro escalão na gestão de Canella em Belford Roxo. Apesar de terem deixado os cargos, a PRE alega que ambos continuaram atuando na campanha de Canella em 2026. O inquérito 5.020/DF, que tramita no STF, e a apreensão de um fuzil em um veículo blindado do ex-prefeito, que resultou em sua prisão em flagrante por posse ilegal de arma de uso restrito, também foram considerados. Defesa alega "narrativa estapafúrdia" e argumenta "combate intransigente" às milícias Em sua defesa, o advogado de Márcio Canella classificou as acusações de envolvimento com milícias como uma "narrativa estapafúrdia". Ele ressaltou que a principal meta de Canella à frente da prefeitura de Belford Roxo era o "combate intransigente" a esses grupos, citando ações do ex-prefeito contra facções criminosas, como a derrubada de barricadas. A defesa argumentou que, isoladamente, os fatos apresentados não seriam suficientes para justificar a inelegibilidade. Voto vencido aponta "convergência do mosaico probatório" O desembargador Guilherme Calmon foi o único a votar contra o deferimento da candidatura. Para Calmon, a força das provas reside na "convergência do mosaico probatório", que incluiria a nomeação de pessoas com candidaturas indeferidas por envolvimento com milícias, a atuação eleitoral ostensiva dessas pessoas na campanha de Canella, a apreensão de um fuzil no veículo do candidato e a apreensão de armas na casa de Jorge Canella, apontado como seu principal aliado político. Jorge Canella foi preso em flagrante com dois fuzis e uma submetralhadora em sua residência, como parte de uma operação que apura posse irregular de armas de uso restrito.