Trump descarta acordo e mantém postura dura contra o Irã O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou neste sábado (29) a rejeição a uma proposta do Irã que previa um cessar-fogo de sete dias, seguido pela reabertura do estratégico Estreito de Ormuz e o início de negociações sobre o programa nuclear iraniano. A decisão do republicano surge em um momento de escalada nas tensões no Oriente Médio, com fontes do governo americano indicando que Trump estaria considerando a retomada de bombardeios contra o país persa após as eleições de meio de mandato, que ocorrem no início de novembro. Proposta iraniana e o fracasso diplomático A proposta iraniana, mediada por países como Catar e Paquistão à margem da Assembleia Geral da ONU, visava suspender o bloqueio naval dos EUA aos portos iranianos e aliviar sanções sobre a venda de petróleo. Em contrapartida, o Irã se comprometeria a reabrir o Estreito de Ormuz, rota vital para o comércio global de petróleo, e iniciar discussões sobre seu programa nuclear. No entanto, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, já havia sinalizado a dificuldade em chegar a um consenso, citando a necessidade de cumprimento de condições específicas para a reabertura do estreito. Retomada de bombardeios e ceticismo americano Fontes ouvidas pelo Wall Street Journal apontam que Trump mantém ceticismo quanto à disposição do Irã em atender às exigências americanas e estaria avaliando a possibilidade de intensificar a campanha de bombardeios. Essa postura representa um obstáculo significativo para a resolução do conflito, marcado por tentativas de negociação intermitentes e fracassadas entre Washington e Teerã. A liberação de bens iranianos congelados no exterior, por exemplo, permanece como um ponto de discórdia. Otimismo anterior e ameaças recíprocas Apesar da rejeição à proposta atual, as negociações indiretas entre os dois países, que chegaram a gerar algum otimismo entre analistas após uma rodada de conversas considerada positiva, continuam em andamento. Contudo, a situação é complexa, com trocas de ameaças e condenações públicas entre as lideranças de ambos os países durante a Assembleia Geral da ONU. Trump chegou a ameaçar "aniquilar" Teerã, enquanto o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, reiterou a defesa da liberdade de navegação em Ormuz e prometeu que o país não se curvaria a ameaças estrangeiras.