O Limite Entre o Prazer e a Preocupação A cena é familiar para muitos pais: a recusa de um convite para sair, a lição de casa deixada para depois e a hora de dormir estendida, tudo em nome de uma partida de videogame. Mas quando o hobby se transforma em um problema? A psicóloga e neuropsicóloga Juliana Gois, orientadora educacional do Colégio Rio Branco, explica que o ponto de atenção surge quando o jogo começa a interferir nas atividades cotidianas, como refeições em família, rotina escolar, sono e convívio social. Sinais de Alerta a Observar A dificuldade em parar de jogar, mesmo quando há outras demandas, e reações negativas ao ser interrompido são indicadores importantes. Além disso, a substituição de atividades antes prazerosas, como esportes, encontros com amigos ou programas familiares, pelo tempo dedicado aos games, merece atenção. O desempenho escolar também pode ser afetado, especialmente quando o jogo passa a ditar a rotina em vez de se encaixar nela. Transtorno de Jogo: Um Estudo Revelador Um estudo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), publicado em agosto de 2026, indicou que 3,4% dos jogadores de videogame no último mês apresentaram risco de transtorno de jogo. Embora esse número não represente um diagnóstico confirmado, ele serve como um sinal de alerta, apontando para a necessidade de monitoramento. É crucial entender que o entusiasmo por um jogo, mesmo que demande muitas horas, não é suficiente para caracterizar um transtorno. A persistência desse padrão ao longo do tempo e a resistência a qualquer tentativa de impor limites são os fatores determinantes. Regras Claras e Apoio Emocional Para lidar com o uso excessivo de videogames, especialistas recomendam a definição de regras claras e consistentes antes do início de cada sessão de jogo, incluindo horários e compromissos inegociáveis. É fundamental que os pais também se interessem pelo que os filhos estão jogando, compreendendo as interações e possíveis compras dentro dos jogos. Em casos onde o videogame se torna uma fuga para problemas como bullying ou dificuldades de aprendizagem, cortar o acesso sem abordar a causa raiz dificilmente resolverá a situação. A busca por ajuda profissional, seja com psicólogos, pediatras ou a escola, é essencial quando a resistência às regras se torna intensa e persistente, indicando um problema mais sério do que uma simples birra passageira.