Em um movimento estratégico que sinaliza uma nova era de cooperação tecnológica, o presidente chinês, Xi Jinping, prometeu a criação de um sistema de inteligência artificial (IA) de código aberto para uso e desenvolvimento conjunto por todos os países do BRICS. A declaração foi feita durante a cúpula do bloco em Nova Deli, na Índia, e abrange não apenas os membros plenos, mas também nações parceiras como Cuba, Malásia e Tailândia. China busca liderança em IA com modelo colaborativo aberto Xi Jinping detalhou que a China apoiará a colaboração no desenvolvimento e aplicação de grandes modelos de linguagem, além de promover seminários, cursos de treinamento e a construção de um ecossistema aberto para IA. Essa iniciativa surge em um momento de intensa disputa tecnológica entre China e Estados Unidos, com a China adotando uma abordagem distinta focada na colaboração e na abertura. Plataforma em nuvem e economia digital no BRICS Além da IA, o líder chinês anunciou planos para a criação de uma plataforma em nuvem para um ecossistema digital do BRICS, visando o intercâmbio tecnológico e o alinhamento industrial para fortalecer a economia digital dentro do bloco. Xi Jinping enfatizou a importância da cooperação pragmática e da estabilidade das cadeias de suprimentos para o sucesso de um BRICS ampliado, propondo também a criação de Zonas Econômicas Especiais entre as nações do grupo. Críticas à instrumentalização da tecnologia e minerais críticos O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, anfitrião da cúpula, criticou nações que transformam tecnologia e minerais críticos em armas comerciais e diplomáticas, o que poderia prejudicar o progresso global. Embora não tenha nomeado países, a declaração ecoa a disputa acirrada entre EUA e China pelo acesso e controle de minerais essenciais para tecnologias avançadas, com a China detendo um monopólio significativo no desenvolvimento desses recursos. Reforma da governança global e integração do BRICS O presidente russo, Vladimir Putin, reforçou a necessidade de uma reforma na governança global e de maior integração dentro do BRICS. Ele destacou a importância de combinar as vantagens competitivas das economias individuais dos países do bloco, uma postura que reflete as pressões sobre o Kremlin devido às sanções ocidentais. A agenda tecnológica, impulsionada pela China, parece destinada a dominar a presidência do BRICS em 2027, com um forte apelo para facilitar o comércio intrabloco através de ferramentas digitais.