Como a pulverização de candidaturas pode beneficiar Flávio Bolsonaro A eventual desistência de um candidato de centro-direita na reta final do primeiro turno pode abrir espaço para uma nova articulação em torno da candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. Segundo a analista política Daniela Alves, o comportamento dos candidatos de direita e centro-direita nas últimas horas da campanha será uma variável crucial a ser observada. Inicialmente vista por parte do eleitorado como uma dispersão de forças, a presença de diferentes nomes no campo da direita pode, na verdade, oferecer a Flávio Bolsonaro a possibilidade de negociar apoios. "Essa pulverização inicial das candidaturas de direita acabou tendo a possibilidade de fortalecer o Flávio Bolsonaro", afirmou Daniela em entrevista ao VEJA em Foco. A importância da desistência e do apoio público Para Daniela, uma desistência antes da votação, especialmente se acompanhada de uma declaração pública de apoio, poderia fortalecer significativamente a candidatura de Flávio. "Se um presidenciável desistir ainda no primeiro turno, isso também vai fortalecer muito o Flávio Bolsonaro", avaliou a analista, que vê nessa estratégia uma tentativa de concentrar votos em torno do candidato do PL. No entanto, a analista ressalta que a retirada de uma candidatura não garante automaticamente a transferência de votos. Seria necessário construir um discurso comum entre Flávio e os eventuais aliados para convencer os eleitores a migrarem. O objetivo seria que outros candidatos desistissem e, a partir disso, apresentassem um discurso unificado para que os votos fossem efetivamente transferidos para Bolsonaro. Fragmentação como oportunidade de negociação A existência de várias candidaturas de direita e centro-direita, que antes gerava críticas de eleitores que defendiam desistências antecipadas, agora cria interlocutores com os quais Flávio Bolsonaro pode negociar. Daniela identifica nessa dinâmica uma postura pragmática do candidato, que poderia tentar formar uma "frente ampla da direita", semelhante à articulação da esquerda na eleição anterior. Fatores de última hora e o voto útil Daniela Alves também alertou para a possibilidade de acontecimentos de última hora alterarem a orientação de parte do eleitorado, já que "a cada minuto surge uma nova informação". Além disso, a analista destacou o peso do voto útil em um cenário de forte rejeição a alguns candidatos. Nesse contexto, parte do eleitorado pode decidir seu voto não pelo candidato preferido, mas pela intenção de impedir a vitória de um adversário.