Abertura e Encerramento Marcados por Destaques LGBTQIA+ A 28ª edição do Festival do Rio, um dos maiores eventos cinematográficos do Brasil, abre suas portas com uma programação que evidencia a crescente e inegável presença do cinema gay. A temática LGBTQIA+ não apenas permeia diversas exibições, mas também marca a cerimônia de abertura e o encerramento do festival. Para dar o tom, o evento de abertura apresenta "A Bola Preta", vencedor do prêmio de melhor direção no Festival de Cannes, e a cerimônia de encerramento trará "Club Kid", também reconhecido em Cannes com o troféu Queer Palm, dedicado a produções de destaque para a comunidade LGBT. Histórias de Amor e Redefinições Familiares em Destaque "A Bola Preta", com estreia nacional prevista para janeiro de 2027, promete ser um dos filmes mais comentados da temporada de premiações. A obra narra três histórias de amor distintas, ambientadas em 1932, 1937 e 2017, e conta com um elenco que mescla novos talentos, como o cantor Guitarricadelafuente, com estrelas consagradas como Penélope Cruz e Glenn Close. Por outro lado, "Club Kid" aborda a jornada de um homem gay devoto à vida noturna que se vê confrontado com a paternidade após uma descoberta inesperada, forçando-o a reavaliar suas concepções sobre família e cotidiano. Diversidade de Gêneros e Narrativas LGBTQIA+ A representatividade vai além das cerimônias de abertura e encerramento. A programação inclui "The Man I Love", do diretor americano Ira Sachs, que explora a intimidade homossexual e acompanha um jovem diagnosticado com AIDS na Nova York dos anos 1980, estrelado por Rami Malek. Outro destaque vindo de Cannes é "Coward", do belga Lukas Dhont, que celebra a força da juventude com dois jovens atores premiados por interpretarem soldados na Primeira Guerra Mundial que encontram na arte drag uma forma de entretenimento e expressão. Do Faroeste à Animação Satírica: Um Panorama Abrangente O festival também mergulha em outros gêneros com temáticas LGBTQIA+. "Um Longo Inverno", de Andrew Haigh, diretor de "Todos Nós Desconhecidos", transporta o público para o universo do faroeste ao contar a história de uma família desestruturada após o desaparecimento da matriarca. Para um tom mais leve, a animação "Jim Queen", coprodução franco-belga, apresenta uma visão satírica e colorida de um mundo onde um vírus transforma homens gays em heterossexuais, impulsionando o protagonista em uma busca por uma cura. Cinema Brasileiro e Retrospectiva Histórica Completam a Oferta A força do cinema gay nacional também se faz presente com "Privadas de suas Vidas", um terror satírico trash dirigido por Gurcius Gewdner e Gustavo Vinagre, que utiliza humor ácido para criticar o conservadorismo. "London", premiado em Veneza, narra a jornada de autodescoberta de um jovem com deficiência que trabalha em um ambiente de fetiches. Para os interessados em história, o Festival do Rio promove uma retrospectiva do cineasta alemão Rosa Von Praunheim, exibindo sete de seus longas, incluindo o icônico "Não é o Homossexual que é Perverso, mas a Situação em que Ele Vive". Um Ano Especial para o Cinema Queer Ilda Santiago, idealizadora e diretora geral do evento, ressalta a importância desta edição: "Esse é um ano muito especial para o cinema queer por muitos motivos. Acredito que a memória coletiva esteja ficando cada vez mais curta, e esses longas resgatam histórias dos últimos 50 anos, agora repensadas a partir do prisma atual. É muito importante que a lembrança das lutas civis seja preservada". Filmes como "A Bola Preta", "The Man I Love" e "Coward" são, segundo Santiago, cada vez mais necessários para a reflexão sobre o presente e o futuro. Informações sobre horários e ingressos estão disponíveis no site oficial do Festival do Rio.