FMI Alerta para Riscos Globais: Energia, Dívida e IA Sobem na Pauta Economia Mundial Sob Ameaça de Choques Energéticos, Dívida Pública Recorde e Ascensão da IA A economia global enfrenta um cenário de incertezas com a persistência de altos preços da energia, níveis recordes de dívida pública e os riscos emergentes do rápido avanço da inteligência artificial (IA). O alerta foi feito por Kristalina Georgieva, diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), que instou governos a adotarem medidas fiscais e monetárias protetivas. Conflitos e Tecnologia: Duas Forças em Direções Opostas Em discurso que antecedeu as reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial, Georgieva destacou que o mundo está sendo impactado por forças opostas: um choque negativo na oferta de energia, exacerbado por conflitos no Oriente Médio, e um choque positivo na demanda impulsionado pela inteligência artificial. Essa dualidade, segundo ela, contribui para o aumento da inflação. Impactos Desiguais e Previsões Revisadas Georgieva ressaltou que o impacto combinado dessas forças é sentido de maneira desigual ao redor do globo. As próximas projeções de crescimento do FMI, a serem divulgadas em Bangkok, indicarão revisões para baixo em economias afetadas por guerras, como a Ucrânia, e países do Golfo, impactados por ataques e pela redução nas exportações de energia. Embora a previsão geral de crescimento para 2026 não tenha sido alterada em seu discurso, a projeção original para 2027 de 3,4% partia de premissas que já estão sendo desafiadas. Energia Cara e Inflação Persistente Os preços do petróleo, atualmente em torno de US$ 100 por barril, e a capacidade de refino comprometida elevam os custos de produtos essenciais como o diesel. A demanda por energia no Hemisfério Norte, combinada com restrições no fornecimento de gás natural devido a ameaças ao transporte marítimo, sugere que os altos preços da energia devem persistir, impactando a inflação e as taxas de juros. Os rendimentos de títulos soberanos de longo prazo em países como EUA, Alemanha e Japão já atingiram níveis não vistos em décadas. Dívida Pública e a Necessidade de Ações Fiscais O crescente peso da dívida pública, que o FMI projeta ultrapassar 100% do PIB antes de 2030, representa outro obstáculo significativo ao crescimento e à estabilidade de preços. Georgieva apontou as economias avançadas, especialmente os Estados Unidos, como os principais contribuintes para o endividamento. Ela enfatizou a urgência de planos fiscais críveis de médio prazo para consolidar as finanças públicas, aliviando a pressão sobre a política monetária e evitando que bancos centrais se tornem "cowboys monetários" ao tentar resgatar governos endividados.