Jorge Jesus confirmou ter lido a carta divulgada por Cristiano Ronaldo, na qual o astro português detalha os motivos de ter abandonado a concentração da seleção e tece críticas ao treinador pelo desentendimento entre ambos. Questionado sobre o comunicado, Jesus optou por não alimentar a controvérsia, afirmando estar totalmente concentrado em suas responsabilidades à frente do combinado nacional."Li o comunicado, e agora, como faço todos os dias, vou para a federação trabalhar, pensar na equipe e na seleção", declarou o técnico a jornalistas nesta quarta-feira (7).A manifestação de Cristiano Ronaldo veio à tona na terça-feira (6), quebrando o silêncio e apresentando sua perspectiva sobre o atrito com Jorge Jesus. O atacante, de 41 anos, expressou sua insatisfação após ter sido instruído a aquecer, mas não ter sido acionado durante a vitória por 2 a 1 de Portugal sobre a Noruega, em partida válida pela Liga das Nações.A Versão de Cristiano RonaldoSegundo o relato de Ronaldo, houve uma conversa com o treinador na presença de Simão Coutinho, diretor esportivo do Al-Nassr, que havia acompanhado as negociações sobre a utilização do jogador na seleção. O astro afirmou que ficou acordado que Jesus levaria a uma coletiva de imprensa oito pontos definidos a partir daquela conversa para esclarecer o episódio.Entre os pontos, estaria o reconhecimento de que o técnico havia cometido um erro ao "mandar um jogador da dimensão de Pelé ou Maradona aquecer para depois não colocá-lo em campo". Essa referência remete a uma frase anterior do próprio Jesus, que havia citado os ícones do futebol ao justificar por que manteve o atacante no banco, alegando que pretendia utilizá-lo, mas as circunstâncias do jogo o fizeram mudar de ideia.Cristiano Ronaldo, contudo, apresentou uma versão distinta. Ele alegou que, no dia da partida, o próprio Jesus o informou que jogaria por cerca de 30 minutos. O atacante declarou que, embora a orientação estivesse fora do planejamento físico inicialmente estabelecido, ele aceitou a mudança e iniciou o aquecimento após o intervalo. Ao não ser utilizado, Ronaldo interpretou que o treinador havia faltado com a palavra.O Plano Físico e a Recusa do CapitãoA carta de Ronaldo também detalha que Jesus havia proposto um plano de utilização baseado no controle físico, alternando jogos e períodos de descanso. O atacante, entretanto, recusou a sugestão de não viajar para os compromissos contra Noruega e Dinamarca, argumentando que tal atitude não seria compatível com a postura de um capitão da seleção.O jogador português ainda indicou que a postura de Jesus teria mudado na entrevista concedida antes do confronto com a Dinamarca. Poucas horas depois, Ronaldo deixou a concentração, apesar das tentativas de convencê-lo a permanecer. Naquela ocasião, ele prometeu explicar posteriormente os motivos de sua decisão. Na carta recente, ele reforçou que aceita uma eventual punição da Federação Portuguesa de Futebol e reiterou seu desejo de continuar disponível para defender a seleção após cumprir a suspensão, desde que esteja em condições físicas adequadas e atuando por seu clube.