PF instaura inquérito após pedido da AGU A Polícia Federal (PF) iniciou uma apuração para investigar uma possível interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras. A investigação atende a um pedido formal da Advocacia-Geral da União (AGU) e está em fase preliminar na Diretoria de Inteligência da corporação. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, confirmou a informação, destacando que a portaria de instauração do inquérito ainda não foi publicada. Origem da investigação: reportagem e pedido da AGU O pedido da AGU foi motivado por uma reportagem publicada pelo jornal britânico The Guardian, que apontou que o governo de Donald Trump teria destinado cerca de 1 milhão de dólares de um fundo de direitos humanos a um programa chamado "Countering Lawfare and Censorship in Brazil" (Combate à Litigância Deliberativa e à Censura no Brasil). A AGU solicitou à PF e à Procuradoria-Geral da República (PGR) que investiguem se líderes da direita brasileira receberam fundos americanos para financiar campanhas contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e outras instituições democráticas. Objetivo e preocupações da AGU O principal objetivo da investigação é identificar os beneficiários desses recursos. Em ofícios, a AGU expressou a preocupação de que o recebimento de capital estrangeiro para promover ataques sistemáticos à soberania nacional e ao funcionamento do sistema de justiça brasileiro, utilizando fundos internacionais desviados de sua finalidade original, possa configurar uma estrutura de ingerência externa nos assuntos internos do Brasil. A AGU ressaltou que essa prática, caso comprovada, é uma violação grave. Contexto e antecedentes A investigação ocorre em um contexto de tensão política e após medidas de segurança tomadas pelas embaixadas dos Estados Unidos e da Austrália, que suspenderam o atendimento ao público nas vésperas das eleições por "risco de segurança". Paralelamente, a campanha do presidente Lula (PT) já havia solicitado uma investigação eleitoral contra a campanha de Flávio Bolsonaro (PL), alegando que o senador e seu irmão, Eduardo Bolsonaro, teriam estabelecido vínculos que poderiam facilitar uma intervenção do governo Trump no Brasil, citando o mesmo fundo americano.