Onda de Protestos e Violência nas Escolas Francesas Mais de 560 escolas de ensino médio na França permanecem fechadas nesta sexta-feira, 2, em decorrência de uma semana de intensos protestos estudantis. As manifestações, que começaram na região de Paris e se espalharam pelo país, resultaram em dezenas de feridos entre funcionários da educação e quase 2.000 detidos, conforme informado pelas autoridades. A nova fase da mobilização foi marcada por confrontos diretos com a polícia, incêndios e atos de vandalismo em diversas regiões. Reivindicações Estudantis e Escalada da Violência As principais demandas dos estudantes incluem a melhoria das condições de ensino, com foco na redução da superlotação das salas de aula, a contratação de mais professores para suprir ausências e o aumento do investimento em infraestrutura escolar. Além disso, há críticas às longas jornadas de estudo e ao sistema Parcoursup, utilizado para o ingresso no ensino superior. No entanto, as manifestações rapidamente evoluíram para episódios de violência. Na região de Île-de-France, cerca de 55 escolas foram palco de confrontos e vandalismo, com aproximadamente 50 portões e áreas de acesso danificados desde o início dos protestos. Em cidades como Estrasburgo e Marselha, a polícia precisou usar gás lacrimogêneo e artefatos explosivos foram lançados contra agentes. Impacto Financeiro e Repressão Governamental Os danos materiais causados pelos protestos já somam cerca de 1 milhão de euros, segundo estimativas da presidente da região de Île-de-France. O Ministro da Educação, Edouard Geffray, informou que pelo menos 65 funcionários da educação, incluindo 40 diretores, ficaram feridos. Geffray caracterizou a mobilização, inicialmente considerada legítima pelo governo, como “sequestrada” por grupos externos violentos. O Ministro da Justiça, Gérald Darmanin, relatou a detenção de aproximadamente 2.000 pessoas, a maioria menores de idade, e sugeriu a responsabilização civil dos pais pelos danos causados por seus filhos. Apesar do endurecimento do discurso, o governo reconheceu a validade de parte das reivindicações estudantis, anunciando a criação de uma plataforma para ouvir os jovens e prometendo respostas concretas. Contexto Político e Social A atual onda de protestos ocorre em um momento de pressão sobre o governo do primeiro-ministro Sébastien Lecornu, que busca implementar um plano de austeridade com cortes de 54 bilhões de euros no orçamento até 2027. Essas medidas enfrentam resistência de sindicatos e de outros setores da sociedade. A mobilização estudantil também se soma a manifestações de servidores públicos que exigem reajustes salariais e melhores condições de trabalho, em um cenário de alta inflação e congelamento salarial. A situação política é delicada, com as eleições presidenciais marcadas para abril e maio de 2027, adicionando urgência à gestão das tensões sociais e econômicas pelo governo centrista de Emmanuel Macron.