Saída da Polícia Civil para disputa eleitoral
O delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC), Ulisses Gabriel, confirmou sua pré-candidatura a deputado estadual pelo Partido Liberal (PL). Em virtude da legislação eleitoral, que exige a desincompatibilização de cargos públicos com antecedência mínima de seis meses do pleito, Gabriel anunciou que deixará a chefia da PCSC. Ele expressou em suas redes sociais a intenção de se dedicar a uma “nova missão”, sem especificar a data exata de sua saída do cargo.
Gabriel, que está na corporação há 22 anos e atua como delegado há 19, ocupava a função de delegado-geral há mais de três anos, tendo sido nomeado pelo governador Jorginho Mello (PL). A sua decisão de concorrer a uma vaga na Assembleia Legislativa fortalece o vínculo com o atual chefe do Executivo estadual, com quem será correligionário.
Caso Orelha e procedimento do MP
O nome de Ulisses Gabriel ganhou notoriedade nacional a partir de janeiro deste ano, após a morte do cão comunitário Orelha, na Praia Brava, em Florianópolis. O caso gerou grande comoção e, posteriormente, a Promotoria de Justiça instaurou um procedimento preparatório para avaliar a conduta do delegado-geral. A investigação do Ministério Público (MP) visa apurar a necessidade de abertura de um inquérito civil, após o recebimento de diversas representações contra a atuação de Gabriel na condução do caso.
O delegado-geral tem defendido publicamente a apuração das agressões a Orelha, atribuindo críticas à investigação a supostas “motivações escusas” e direcionando ataques à esquerda. Ele também adotou o cachorro Caramelo, outro animal que foi vítima de maus-tratos na mesma região de Santa Catarina.
Defesa de Gabriel e questionamentos do MP
Em nota enviada à imprensa, Ulisses Gabriel declarou estar “absolutamente tranquilo” e confiante no trabalho do Ministério Público. Ele refutou as acusações de abuso de autoridade ou violação de sigilo funcional, argumentando que não era o responsável direto pela investigação e que as informações divulgadas em coletiva de imprensa eram de conhecimento público, sem expor nomes ou dados dos investigados. O inquérito policial que apurou a possível coação no curso do processo, segundo ele, era público.
O procedimento do MP ocorre em meio a questionamentos já levantados pelo próprio órgão sobre a investigação conduzida pela Polícia Civil. Após a conclusão do inquérito que apontou um adolescente como responsável pelas agressões a Orelha e pediu sua internação, promotorias identificaram lacunas e inconsistências nos autos. O corpo do cão foi exumado para uma nova perícia. Promotorias da área da Infância e Juventude e da esfera criminal solicitaram a inclusão de novos vídeos, esclarecimentos adicionais sobre possível coação e a oitiva de novas testemunhas, incluindo porteiro e vigilante de um condomínio onde teria havido uma discussão.
O crime e as diligências
O cão Orelha foi atacado na madrugada de 4 de janeiro e faleceu no dia seguinte. Laudos iniciais da Polícia Científica indicaram que o animal sofreu uma pancada forte na cabeça. A Polícia Civil informou que cumpriria os pedidos de diligência do MP com celeridade para que a denúncia fosse encaminhada à Justiça com as provas reunidas, enquanto o delegado-geral sempre negou irregularidades em sua atuação.

