Investigação aponta conluio para criar falsa solidez financeira
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) identificou um conluio entre o Banco Master e os fundos dos quais era cotista para sustentar uma manobra contábil. Segundo o presidente interino da autarquia, João Accioly, o banco não foi uma vítima, mas sim um agente ativo na supervalorização dos ativos dos fundos em que investia. A declaração foi feita durante sua participação na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.
Benefício mútuo e a emissão de CDBs
Accioly explicou que esse “alinhamento perverso de incentivos” beneficiava tanto o Banco Master quanto os gestores dos fundos. A inclusão de ativos superdimensionados no balanço do banco criava uma falsa percepção de robustez financeira. Essa imagem de solidez permitia ao Master sinalizar ao mercado e ao Banco Central que possuía liquidez suficiente para continuar emitindo Certificados de Depósito Bancário (CDBs), mesmo sem ter a capacidade real.
O ‘me engana que eu gosto’ financeiro
O presidente interino da CVM descreveu a situação como um “me engana que eu gosto”. O Banco Master, ao inflar artificialmente o valor de seus ativos, apresentava um balanço mais forte, o que, por sua vez, o autorizava a continuar a emissão de CDBs, enganando o Banco Central sobre sua verdadeira liquidez.
Grupo de Trabalho e Investigação Policial
No início do mês, a CVM estabeleceu um grupo de trabalho para analisar detalhadamente as informações relacionadas ao Grupo Master, Reag e outras entidades associadas. O objetivo é consolidar fatos e processos para aprimorar o diagnóstico institucional. Paralelamente, a Polícia Federal conduz investigações sobre supostas fraudes, incluindo gestão fraudulenta, temerária e organização criminosa. Estima-se que a fraude na venda de carteiras de crédito do Banco Master para o BRB atinja R$ 12,2 bilhões. Em novembro, o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master, comandado por Daniel Vorcaro.

