Lacunas nos Documentos de Epstein: O Que Está Faltando?
Uma análise detalhada de mais de 3 milhões de páginas de documentos relacionados ao caso Jeffrey Epstein, divulgados recentemente pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ), revelou lacunas preocupantes. A rede CNN identificou que dezenas de entrevistas de testemunhas conduzidas pelo FBI, conhecidas como relatórios “302”, parecem estar ausentes do material público. Entre os documentos faltantes, destacam-se três entrevistas relacionadas a uma mulher que acusou Donald Trump de agressão sexual décadas atrás.
Mais de Um Quarto dos Relatórios de Entrevistas em Falta
Segundo a revisão da CNN, um registro de provas entregue à defesa de Ghislaine Maxwell, associada de Epstein condenada por tráfico sexual, lista aproximadamente 325 memorandos de entrevistas do FBI. No entanto, mais de 90 desses registros, o que representa mais de 25% do total, não foram encontrados no site do DOJ. A ausência desses documentos levanta sérias questões sobre a transparência e a completude da divulgação.
Acusações Contra Trump e a Ausência de Documentos Cruciais
As entrevistas em falta incluem aquelas com uma mulher que relatou ter sido abusada por Epstein desde os 13 anos de idade e que também fez acusações de agressão sexual contra Donald Trump. O deputado democrata Robert Garcia, membro do Comitê de Supervisão da Câmara, expressou preocupação com a situação, afirmando que a ausência desses documentos dificulta a verificação das alegações e questiona o cumprimento da lei que exige a divulgação integral dos arquivos ligados a Epstein. Trump, por sua vez, nega qualquer irregularidade e a Casa Branca classificou as alegações como “falsas e sensacionalistas”.
Respostas do DOJ e Preocupações de Especialistas
Um porta-voz do DOJ negou que qualquer registro tenha sido apagado, afirmando que todos os documentos relevantes foram produzidos e que a legislação está sendo cumprida. O departamento explicou que documentos ausentes podem ser duplicados, material protegido por privilégio legal ou parte de investigações em andamento. Especialistas, como Andrew McCabe, ex-vice-diretor do FBI, ressaltam a importância central dos relatórios “302” para a compreensão das investigações sobre Epstein e Maxwell, descrevendo-os como “o tijolo mais básico e importante da investigação”. Sobreviventes do abuso também criticaram a divulgação, considerando a falha como “profundamente pessoal” e uma perpetuação do segredo que permitiu a continuidade dos crimes.

