Eua E Irã Retomam Negociações Nucleares Em Genebra Sob Tensão De Potencial Ataque Americano

EUA e Irã Retomam Negociações Nucleares em Genebra Sob Tensão de Potencial Ataque Americano

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Nova Rodada de Diálogos em Genebra

Nesta quinta-feira (26), Irã e Estados Unidos dão continuidade às negociações em Genebra com o objetivo de resolver a longa disputa sobre o programa nuclear iraniano. O encontro busca evitar novos conflitos militares, após um aumento significativo do poderio militar americano na região. As conversas, retomadas neste mês, visam superar um impasse de décadas, com Washington e aliados ocidentais suspeitando que Teerã almeja o desenvolvimento de armas nucleares, acusação que o Irã nega veementemente.

Pressão Militar e Ultimatos Americanos

A delegação americana nas negociações indiretas com o Irã conta com a participação do enviado especial Steve Witkoff e de Jared Kushner, genro do presidente Donald Trump. As discussões são mediadas pelo ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr Albusaidi, seguindo encontros realizados na semana anterior. O presidente Trump, em seu discurso sobre o Estado da União, reiterou a preferência por uma solução diplomática, mas deixou claro que não permitirá que o Irã adquira armas nucleares. Para pressionar o país a ceder, Trump mobilizou uma frota naval e aeronáutica considerável na região, enviando caças, grupos de ataque de porta-aviões, destróieres e cruzadores.

Programa de Mísseis e Temores de Conflito

Embora o foco principal das negociações seja o programa nuclear, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, destacou a preocupação com a recusa do Irã em discutir seu programa de mísseis balísticos, considerando-o uma ameaça direta aos Estados Unidos e à estabilidade regional. Os EUA têm reunido uma força militar sem precedentes no Oriente Médio, a maior desde a invasão do Iraque em 2003, o que alimenta temores de um conflito regional mais amplo. Em junho do ano passado, EUA e Israel atacaram instalações nucleares iranianas, e Teerã ameaçou retaliar violentamente caso seja alvo de novos ataques. Trump chegou a dar um ultimato de 10 a 15 dias para um acordo, alertando para “coisas muito ruins” caso contrário.

Economia e Declarações Oficiais

O aumento da tensão impactou os mercados, com os preços do petróleo subindo ligeiramente enquanto investidores avaliam o risco de interrupção do fornecimento. A Arábia Saudita, por sua vez, tem aumentado sua produção e exportações como plano de contingência. Do lado iraniano, o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, afirmou que o país busca um acordo justo e rápido, mas reitera que não abrirá mão de seu direito ao uso pacífico da tecnologia nuclear. A Reuters noticiou que Teerã estaria oferecendo novas concessões em troca da suspensão de sanções e do reconhecimento de seu direito ao enriquecimento de urânio. Contudo, ambos os lados permanecem divididos em pontos cruciais, como o escopo e a sequência do alívio das sanções americanas. O Líder Supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, enfrenta uma crise econômica agravada pelas sanções e protestos, mas o presidente Masoud Pezeshkian reafirmou que Khamenei proibiu armas de destruição em massa, indicando que Teerã não desenvolverá armas nucleares, ecoando uma fatwa de anos atrás. A liderança iraniana sustenta que seu programa nuclear cumpre os termos do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), permitindo atividades civis em troca da renúncia a armas atômicas e cooperação com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), cujo chefe, Rafael Grossi, deve estar presente em Genebra.

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