Homenagens Repugnantes no Conforto Ocidental
Em uma demonstração chocante de dissonância, estudantes em universidades de elite no Reino Unido, como Edimburgo, Cambridge e UCL, organizaram vigílias e expressaram condolências pela morte de Ali Khamenei, o falecido líder supremo do Irã, morto em um bombardeio israelense. As homenagens, descritas como “sinceras condolências”, “amado líder” e “grande mártir”, partem de um ambiente de liberdade e conforto ocidental, contrastando abruptamente com a realidade de um regime que reprimiu violentamente protestos, resultando na morte de mais de trinta mil iranianos.
Esses estudantes, muitos ligados a organizações xiitas, parecem ignorar ou endossar as práticas repressivas do regime, que incluem a brutalidade contra mulheres por infrações como deixar uma mecha de cabelo à mostra ou dirigir. A permissão para tais manifestações é justificada pelas instituições com base no direito à expressão, mas moralmente questionada como repugnante, sendo atribuída a uma “alucinada aliança entre as esquerdas e o islamismo radical”.
Vozes do Irã: Celebração e Guerra como Única Opção
Em contrapartida às homenagens no Ocidente, depoimentos vindos do Irã, coletados pelo France 24, pintam um quadro de alívio e até celebração pela morte de Khamenei. Um profissional de 40 anos relatou que a notícia de sua morte foi recebida com alegria generalizada em seu bairro. “Todo mundo ficou feliz”, afirmou, ressaltando que essa reação se deve ao massacre de manifestantes ocorrido anteriormente. Ele expressou um realismo sombrio, ponderando que a situação pode mudar caso civis comuns sejam atingidos, mas concluiu com uma visão pragmática: “Para conquistarmos a liberdade, a guerra é a única opção. Os iranianos tentaram outras, mas elas não funcionaram”.
Um testemunho de uma mulher em Teerã ecoa esse sentimento de desespero e resignação: “Estou pronta para morrer. Obviamente, preferiria continuar viva para aproveitar a boa vida que teremos no Irã depois da queda da República Islâmica. Mas não podemos chamar de vida o que temos no momento”. Essas palavras, carregadas de simplicidade e normalidade em circunstâncias extremas, evidenciam o profundo desejo de mudança e a frustração com a opressão.
Tensões entre Aliados Ocidentais e Implicações Globais
A complexidade da guerra e suas justificativas têm gerado tensões significativas entre aliados ocidentais. A postura de Donald Trump em relação ao Irã e as reações de líderes europeus expõem divisões profundas. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, criticou a ação contra o Irã, sugerindo que o medo de represálias não deve levar à cumplicidade com atos “maus para o mundo”, uma declaração interpretada como uma preferência velada pelo regime iraniano. A proibição do uso de bases americanas na Espanha por aviões envolvidos no ataque gerou a fúria de Trump, que ameaçou com um boicote comercial.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, também se viu em uma posição delicada, recebendo críticas de Trump por sua falta de um plano “viável” para o Irã. A guerra está exercendo um enorme estresse nas relações ocidentais, um objetivo que o regime iraniano parece almejar, mesmo com ações autodestrutivas como o disparo de um míssil contra a Turquia. A situação interna do regime, com seus membros sob bombardeio, é comparada à Berlim de 1945, em um cenário de disfuncionalidade governamental sem precedentes.
Apesar da complexidade e confusão geradas pelos desdobramentos da guerra, o artigo conclui com um apelo à clareza moral. É fundamental não perder de vista qual beligerante é o “realmente perverso e sem chances de redenção”, e que os estudantes que louvam Khamenei no Ocidente compartilham de uma “degradação moral” ao ignorar o sofrimento de seus colegas no Irã, que foram “massacrados por achar que poderiam expressar opiniões contra o regime”.

