Decisão do Diretório Nacional
O Diretório Nacional do PSOL tomou uma decisão significativa neste sábado (7), optando por encerrar a federação partidária com o PT por uma expressiva maioria de 76% dos votos. A votação representa um revés para a corrente interna liderada por Guilherme Boulos, que buscava fortalecer os laços com o governo Lula, visando a articulação com movimentos sociais e alianças à esquerda. Em contrapartida, a federação com a Rede Sustentabilidade foi renovada por mais quatro anos.
Motivações para o rompimento
A federação, que vai além de uma simples aliança eleitoral e exige a defesa de candidaturas únicas em todo o país, vinha gerando desconforto em alas majoritárias do PSOL. Um dos principais pontos de discórdia era a necessidade de se coligar com partidos de centro e centro-direita, como PSD e União Brasil, que integram a base de apoio do PT. A maioria do diretório considerou que a manutenção da federação poderia comprometer a autonomia e a identidade do partido.
Busca por identidade autônoma
Outro argumento forte para a decisão foi o desejo do PSOL de não ser percebido como um apêndice do PT. A origem do PSOL, fundado em 2004 como uma dissidência do PT após divergências com as políticas econômicas do governo Lula em 2002, foi ressaltada como um fator histórico para a manutenção de uma identidade própria e combativa. A necessidade de não se diluir politicamente e de preservar sua combatividade foi um dos pilares da argumentação contrária à federação.
Apoio a Lula e independência política
Apesar do fim da federação, o PSOL reafirmou seu apoio à reeleição do presidente Lula já no primeiro turno. A deputada federal Sâmia Bomfim destacou nas redes sociais que o partido continuará na linha de frente no combate à extrema-direita e na mobilização social. “O partido reafirma que estará com Lula nas eleições, seguirá na linha de frente no enfrentamento à extrema direita e seguiremos construindo mobilizações em unidade nas ruas. Mas isso não significa que nosso partido deve se diluir ou tampouco abrir mão de sua identidade e combatividade”, declarou. O grupo de parlamentares que se opôs à federação inclui, além de Sâmia Bomfim, Glauber Braga e Fernanda Melchionna.

