Apreensão de envelope com menção ao ‘Congresso’ agrava preocupação política
A apreensão de um envelope pardo com a inscrição “Congresso” na residência do banqueiro Daniel Vorcaro, durante operação da Polícia Federal em novembro do ano passado, tem gerado apreensão na classe política. A descoberta, que ocorreu na mesma ocasião da prisão de Vorcaro, levanta suspeitas sobre o conteúdo e as possíveis revelações que o empresário pode fazer caso opte por um acordo de delação premiada. A informação foi divulgada por um interlocutor próximo a Vorcaro.
Envelope e foro privilegiado: a estratégia da defesa
A defesa de Daniel Vorcaro utilizou o envelope apreendido para argumentar pela transferência da investigação contra o banco Master para o Supremo Tribunal Federal (STF). A justificativa apresentada foi a possível existência de negociações para um empreendimento imobiliário envolvendo o deputado federal João Carlos Bacelar (PL-BA). Por possuir foro privilegiado, Bacelar seria investigado apenas no STF. No entanto, até o momento, o deputado não figura como investigado no caso, embora outros parlamentares e figuras públicas apareçam como interlocutores frequentes de Vorcaro.
Mensagens revelam conexões com figuras proeminentes
Mensagens apreendidas nos celulares de Daniel Vorcaro, que estão em posse da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, indicam contatos com personalidades como o senador Ciro Nogueira (PP-PI), o presidente do União Brasil, Antonio de Rueda, e o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB). Há também menções a figuras do Judiciário. Em abril de 2024, Vorcaro relatou em mensagens a sua então namorada que participou de um evento com ministros do STF e do Superior Tribunal de Justiça (STJ) em Londres, onde teria discursado para os magistrados. Em outra ocasião, em maio do mesmo ano, ele mencionou Ciro Nogueira como um “grande amigo de vida” e “senador muito amigo meu”.
Sigilo e desdobramentos do caso Master
As mensagens em posse da CPMI foram obtidas pela Polícia Federal em acordo com o ministro do STF André Mendonça, relator das investigações na Corte. O conteúdo integral do envelope pardo apreendido com Vorcaro permanece sob sigilo. O caso Master tem se desenrolado com diversas fases e decisões judiciais, incluindo a prisão e soltura de Vorcaro, a liquidação de instituições financeiras ligadas ao grupo e a transferência da investigação para o STF. O ministro Dias Toffoli foi inicialmente o relator, mas se afastou do caso após admitir ser sócio de uma empresa investigada, passando a relatoria para André Mendonça.

