Ibaneis Rocha Em Turbilhão: Mp Mira Aliado, Pl Racha E Cpi Ameaça Investigar Brb Após Escândalo Master

Ibaneis Rocha em turbilhão: MP mira aliado, PL racha e CPI ameaça investigar BRB após escândalo Master

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O governador do Distrito Federal (DF), Ibaneis Rocha (MDB), enfrentou uma semana de intensos desgastes, marcada pelo envolvimento do Banco de Brasília (BRB) no escândalo do caso Master, uma operação do Ministério Público contra seu líder de governo e o rompimento político com o Partido Liberal (PL). A turbulência eleva as incertezas sobre sua pré-candidatura ao Senado e a articulação de alianças para as próximas eleições.

MPDFT investiga esquema de corrupção e mira líder de governo de Ibaneis

A Quinta-feira (05) amanheceu com a deflagração de uma operação do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) para investigar um esquema de corrupção que teria desviado cerca de R$ 50 milhões da Secretaria de Educação, por meio de contratos de locação de imóveis. O deputado distrital Hermeto (MDB), líder de governo de Ibaneis na Câmara Legislativa, foi um dos alvos de mandados de busca e apreensão. Segundo as investigações, grande parte dos recursos desviados provinha de emendas parlamentares.

Hermeto negou qualquer envolvimento com os contratos administrativos da secretaria, afirmando que a responsabilidade é do Poder Executivo, comandado por Ibaneis. O deputado também declarou que as emendas de seu mandato foram destinadas à reforma de escolas públicas e não poderiam ser usadas para aluguéis. “Tenho a consciência tranquila”, disse Hermeto em suas redes sociais, colocando-se à disposição da Justiça.

Em resposta à imprensa, Ibaneis se distanciou do caso, afirmando não ter conhecimento dos fatos e que “cada um tem seus problemas” para responder perante a Justiça. “Eu não tenho nada a ver com isso”, declarou o governador.

PL rompe com Ibaneis e pede CPI para investigar BRB e caso Master

Na terça-feira (02), o PL protocolou um pedido para a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Legislativa para apurar a “ausência de explicações concretas” do governo Ibaneis sobre o caso Master. A decisão marcou o rompimento do partido, aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro, com o governador.

A medida do PL foi motivada por uma reportagem que revelou um contrato de R$ 38 milhões envolvendo o escritório de advocacia de Ibaneis na venda de honorários de precatórios a um fundo ligado à Reag, gestora investigada pela Polícia Federal por integrar um esquema fraudulento relacionado ao Banco Master. A CPI busca investigar as negociações e operações entre o BRB e o Banco Master entre janeiro de 2024 e março de 2026.

O pedido de CPI foi assinado pelos deputados distritais Thiago Manzoni, Joaquim Roriz e Roosevelt Vilela (PL), e Rogério Morro da Cruz (PRD). A iniciativa foi tomada em uma reunião que contou com a presença da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e da deputada federal Bia Kicis (PL), ambas peças importantes na articulação do PL para o Senado, onde a vice-governadora Celina Leão é a principal cotada para concorrer ao governo do DF.

“Quando aparecem indícios graves de desvio de recursos, temos obrigação de agir. CPI é instrumento de fiscalização, e esta se tornou inevitável”, afirmou Bia Kicis. A postura do PL pode impactar a articulação de Ibaneis para o Senado, especialmente se ele decidir concorrer à vaga, o que, segundo anotações vazadas do senador Flávio Bolsonaro, inviabilizaria o apoio do PL à candidatura de Celina Leão ao governo.

Ibaneis recusa convite do Senado e base aliada sofre rachaduras

Ainda na quinta-feira (05), Ibaneis Rocha recusou um convite para comparecer à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, onde seria questionado sobre a relação do BRB com o Banco Master. Em ofício, o governador alegou não possuir conhecimento técnico sobre o sistema financeiro e não ter participado das negociações.

Internamente, a base de Ibaneis também sofreu abalos. Os deputados distritais Manzoni e Cardoso anunciaram o rompimento com o governador após votarem contra um projeto de socorro ao BRB, o que resultou na exoneração de servidores comissionados indicados por eles. Rogério Morro da Cruz, que também votou contra a iniciativa, afirmou que permanecerá na base governista, mas que fará oposição ao que considera errado.

BRB sob escrutínio: Banco Central já havia barrado negociação com Master

A negociação entre o BRB e o Banco Master para a aquisição de 58,04% do capital social do Master, anunciada em março, já havia sido barrada pelo Banco Central em setembro do ano passado. A operação gerou questionamentos no mercado financeiro e entre políticos devido à instabilidade financeira do Banco Master.

O requerimento para a CPI no Senado destaca que as negociações ocorreram em um contexto de instabilidade do Master, exigindo um exame rigoroso sobre as decisões do BRB. A população do DF, segundo o documento, tem o direito de saber se houve uso inadequado de instrumentos financeiros ou concessão de garantias em desacordo com a gestão responsável.

Apesar das polêmicas, Ibaneis sancionou um projeto que estabelece alternativas para fortalecer o capital do BRB. A instituição financeira, além da tentativa frustrada de aquisição do Master, registrou um rombo de R$ 12,2 bilhões após a compra de carteiras fraudulentas do banco de Vorcaro.

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