A morte de Ari Larijani, figura proeminente nos bastidores do poder no Irã e apontado como um dos homens mais influentes do país, gerou reações contrastantes. Enquanto vídeos divulgados nas redes sociais mostram iranianos celebrando a notícia com gritos de alegria, em uma aparente demonstração de alívio pela repressão associada a ele, a mídia ocidental, incluindo a BBC e o New York Times, tem retratado Larijani com adjetivos como ‘inteligente’, ‘pragmático’ e ‘flexível’.
O Papel de Larijani na Repressão e na Política Externa
Larijani, que operava tanto nos bastidores quanto no cenário público, era considerado o homem mais poderoso do Irã na ausência do novo líder supremo, Mojtaba Khamenei. Ele, juntamente com Gholamreza Suleimani, comandante da milícia Bassij, foi fundamental na repressão a protestos no início do ano, que resultaram em milhares de mortes. A morte de ambos em um bombardeio israelense, anunciada pelo ministro da Defesa de Israel, Katz, como o envio de seus alvos para “nas profundezas do inferno”, foi recebida com festa por parte da população iraniana, que conseguiu furar o bloqueio informacional imposto pelo regime.
Cobertura Midiática Ocidental: Um Contraste com a Realidade Popular
A cobertura da morte de Larijani pela mídia ocidental divergiu significativamente da euforia popular. Jeremy Bowen, da BBC, descreveu Larijani como um diplomata inteligente e com quem era possível “fazer negócios”, ressaltando seu lado “flexível”. O New York Times também utilizou o termo “pragmático” para descrever o líder iraniano. Essa abordagem contrasta com a percepção de muitos iranianos, que o viam como um símbolo da repressão estatal.
Ambições e Poder nos Bastidores
Ari Larijani pertencia a uma influente família política iraniana e possuía “altas ambições”, apesar de sua falta de credenciais religiosas o impedir de almejar o cargo de líder supremo. Recentemente, ele havia ameaçado Donald Trump, em um discurso público. Sua morte, no entanto, pode ter sido vista com certa discrição por outros membros do regime. Larijani acumulava funções importantes, como diretor de Segurança Nacional, e era a ponte do Irã com a Rússia e países regionais como Catar e Omã. A especulação é que a sua crescente influência poderia incomodar outros dentro do poder.
O Legado de um “Pragmático” Sob Escrutínio
Enquanto a guerra e suas consequências legais e éticas podem ser objeto de debate, os métodos empregados pelo regime iraniano são frequentemente criticados. A morte de Larijani, celebrada por muitos de seus compatriotas, levanta questões sobre o verdadeiro sentimento da população em relação a seus líderes e sobre como a mídia internacional escolhe retratar figuras controversas. O “pragmático” Larijani não terá mais a oportunidade de demonstrar suas qualidades, deixando para trás um legado complexo e divisivo.

