Ataque Inesperado em Meio à Tempestade
Ioana Barbu enfrentava condições adversas durante uma ultramaratona de 200 km nas remotas montanhas Tian Shan, no Quirguistão. Uma forte tempestade se aproximou rapidamente, trazendo granizo e uma queda drástica de temperatura, de 35°C para 5-10°C em poucos minutos. Ventos fortes haviam removido as marcações da trilha, levando muitos competidores a desistir por hipotermia. Foi nesse cenário caótico que Barbu sentiu a mordida de um cão selvagem em sua perna, sem perceber a aproximação do animal.
Adrenalina e Determinação para Seguir em Frente
Apesar da dor inicial mascarada pela adrenalina e do sangramento visível em sua perna, Barbu reagiu prontamente. Usando seus bastões de caminhada para afastar o cão e gritando para assustá-lo, ela conseguiu alertar a equipe de resgate da corrida através de seu rastreador GPS. A quase 3.200 metros de altitude e a apenas 5 km do fim de uma corrida que já durava cinco dias, ela tomou a decisão de continuar. A corredora sabia que uma vacina antirrábica só estaria disponível após deixar as montanhas, e brincou que a adrenalina a impulsionou a subir a última parte da trilha mais rapidamente.
Um Perfil de Atleta Extremo
Este incidente não diminui o impressionante currículo de Ioana Barbu. No ano anterior, ela se tornou a primeira pessoa a completar a Global Race Series da Beyond the Ultimate (BTU) em um único ano civil, percorrendo 940 km em quatro corridas extremas em locais como o Ártico, selva, montanhas e deserto. Ela também já havia completado outras duas corridas da BTU, tornando-se a primeira a finalizar todas as seis provas em um ano, totalizando mais de 1.280 km. Aos 37 anos, Barbu, que trabalha com TV e podcasting, iniciou sua jornada nas ultramaratonas por acaso, após uma conversa inspiradora com uma personalidade da TV britânica.
Preparação Rigorosa para Condições Extremas
A preparação de Barbu para os desafios da BTU envolveu um treinamento intenso e multifacetado. Ela se submeteu a treinos de força, corridas e caminhadas de aclimatação em altitude, além de trabalhar com a Universidade London Southbank para entender a adaptação humana a condições extremas. Ela utilizou banhos de gelo para se aclimatar ao frio do Ártico e câmaras de calor para o deserto e a selva. Barbu também reconhece a importância crucial do preparo mental, afirmando que um terço da corrida é mental, um terço é físico e um terço é organização e conhecimento do equipamento. Em 2025, ela concluiu seu desafio, subindo ao pódio em todas as corridas, exceto a do Quirguistão, onde seu tempo foi impactado pelo ataque do cão. A experiência a ensinou sobre sua própria força interior e a gratificação de alcançar objetivos desafiadores.

