Neste 30 de setembro, celebra-se o 89º aniversário de Paulo Bomfim, um dos mais reverenciados nomes da poesia e da cultura brasileira. Conhecido como o “Príncipe dos Poetas Brasileiros” e “Poeta da cidade de São Paulo”, Bomfim é uma figura emblemática, cuja vida e obra se entrelaçam com a memória histórica e cultural paulista. Membro da Academia Paulista de História (APH), ele transcende a mera autoria poética, destacando-se como um guardião eloquente das narrativas que moldaram o estado e o país. Sua genialidade reside não apenas na métrica e na rima, mas também na capacidade de evocar o passado com uma clareza e profundidade que poucos conseguem, transformando eventos históricos em vibrantes relatos orais. A longevidade de seu talento continua a enriquecer o patrimônio intelectual brasileiro.
A voz que evoca a história de São Paulo
Paulo Bomfim é amplamente reconhecido por sua erudição e profundo conhecimento sobre São Paulo. Na Academia Paulista de História, onde ocupa uma cadeira de destaque, ele é admirado por sua capacidade de discorrer sobre qualquer tema relacionado à metrópole com uma riqueza de detalhes impressionante. Sua presença em eventos e reuniões da academia é sempre um momento aguardado, pois ele tem o dom de transformar a história em uma narrativa viva e envolvente, cativando os ouvintes com sua oratória e paixão. É por essa habilidade única de reviver o passado que Bomfim se tornou uma referência viva para a compreensão da história paulista.
O heroísmo de Ibrahim Nobre na Revolução de 1932
Em uma memorável reunião alusiva às comemorações da Revolução Constitucionalista de 1932, Paulo Bomfim, em um breve mas impactante discurso, resgatou a figura do jurista Ibrahim Nobre, revelando um episódio marcante de sua vida. A Revolução de 1932 foi um movimento armado que buscou a restauração da ordem constitucional no Brasil e a eleição de uma nova Assembleia Constituinte, após a Revolução de 1930 ter levado Getúlio Vargas ao poder de forma ditatorial. São Paulo foi o epicentro desse movimento, defendendo os ideais de democracia e autonomia.
A história, narrada por Bomfim, remonta ao dia 8 de julho de 1932. Naquele momento de efervescência política e indignação popular, um comício fervoroso no Largo da Sé fervia com a notícia de que Oswaldo Aranha, influente porta-voz do governo de Getúlio Vargas e um dos principais articuladores do regime, estaria em São Paulo, hospedado na Vila Kyrial, residência de seu parente Freitas Valle, na Vila Mariana. A notícia inflamou os manifestantes, que, enfurecidos, partiram em direção à mansão com a intenção de confrontar o representante do ditador.
No relato de Bomfim, o tribuno Ibrahim Nobre, acompanhado do célebre escritor Menotti Del Picchia, um dos grandes nomes do modernismo brasileiro, percebeu a gravidade da situação. Nobre teria proposto a seu amigo que se dirigissem ao local. Chegaram à Vila Kyrial no instante em que a multidão, tomada pela fúria, se preparava para arrombar os portões da histórica mansão. Em um gesto de coragem e princípios, Ibrahim Nobre subiu em uma mureta e, encostando um revólver na própria têmpora, bradou para os manifestantes: “Paulistas, se vocês mancharem as mãos num gesto de covardia eu me mato de vergonha!”.
O impacto daquele ato foi imediato e profundo. A multidão, que venerava Ibrahim Nobre, respeitou sua voz e, aos poucos, começou a se dispersar. Com esse gesto audacioso, o orador salvou a vida de um inimigo político, em um momento de extrema polarização. Anos mais tarde, Paulo Bomfim teria indagado a Ibrahim Nobre sobre o que ele faria caso sua ordem não tivesse sido acatada. A resposta de Nobre, segundo Bomfim, foi incisiva: “Eu teria me matado, porque há passos que não têm retorno”. Essa passagem ilustra a integridade inabalável de Ibrahim Nobre, um jurista que, desde 1930, como promotor, não hesitava em bradar no Tribunal do Júri: “Eu acuso a ditadura!”. Ele plantava, assim, nas entranhas do Palácio da Justiça, a semente da revolução que lutaria pela lei e pelos brios do povo paulista.
Legado poético e a celebração dos 89 anos
A narrativa de Paulo Bomfim sobre Ibrahim Nobre é apenas um exemplo de sua capacidade de resgatar e eternizar personagens e momentos cruciais da história brasileira. Contudo, é em sua vasta obra poética que reside o cerne de seu reconhecimento. Paulo Bomfim não é apenas um historiador oral; ele é, acima de tudo, um poeta de sensibilidade ímpar, capaz de traduzir em versos a alma de sua gente e de sua cidade. Seus poemas, que versam sobre temas universais e locais, consolidaram sua posição como um dos maiores nomes da literatura nacional.
Paulo Bomfim: o poeta e a Academia Paulista de História
O título de “Príncipe dos Poetas Brasileiros” não é mera formalidade. Ele reflete o profundo respeito e admiração que Bomfim conquistou ao longo de décadas dedicadas à arte da palavra. Sua poesia é um elo entre o passado e o presente, uma ponte para as emoções e os acontecimentos que moldaram a identidade paulista. Sua atuação na Academia Paulista de História, portanto, não é uma bifurcação de sua carreira, mas uma extensão natural de sua vocação. Para Bomfim, a história é também poesia, e a poesia é a forma mais sublime de preservar a história e os valores de um povo. Sua mente lúcida e sua memória privilegiada continuam a ser um farol para as gerações futuras, iluminando os caminhos da cultura e do conhecimento.
Conclusão
Paulo Bomfim, ao completar 89 anos, representa uma ponte viva entre a memória histórica e a expressão poética. Sua capacidade de evocar figuras como Ibrahim Nobre e de detalhar momentos críticos como a Revolução de 1932 demonstra a profundidade de seu compromisso com a preservação da identidade paulista e brasileira. Conhecido como o “Príncipe dos Poetas Brasileiros” e “Poeta da cidade de São Paulo”, ele personifica a fusão entre a erudição historiográfica e a sensibilidade lírica. Sua longevidade e contínua contribuição para a Academia Paulista de História e para a literatura são um testemunho de uma vida dedicada à cultura, à memória e à beleza da palavra. Que sua genialidade continue a nos inspirar por muitos anos, mantendo vivas as histórias e os versos que enriquecem nosso patrimônio imaterial.
FAQ com perguntas frequentes
Quem é Paulo Bomfim e qual sua importância?
Paulo Bomfim é um renomado poeta brasileiro, conhecido como o “Príncipe dos Poetas Brasileiros” e “Poeta da cidade de São Paulo”. Ele é membro da Academia Paulista de História e se destaca por sua vasta obra poética e por sua profunda capacidade de narrar e interpretar eventos históricos, conectando a memória cultural de São Paulo e do Brasil. Sua importância reside na fusão de sua sensibilidade poética com seu rigor histórico, tornando-o um guardião da memória nacional.
Qual o papel de Ibrahim Nobre na Revolução de 1932, segundo a narrativa de Bomfim?
De acordo com a narrativa de Paulo Bomfim, Ibrahim Nobre desempenhou um papel crucial de moderação e princípios durante a Revolução de 1932. Em um momento de grande indignação popular, ele interveio para impedir que uma multidão enfurecida invadisse a residência onde estava Oswaldo Aranha, representante do governo de Getúlio Vargas. Com um gesto dramático e de profundo idealismo, Nobre conseguiu dispersar os manifestantes, salvando a vida de um adversário político e demonstrando sua inabalável crença na lei e na justiça, mesmo em tempos de ditadura.
O que representa a Academia Paulista de História para Paulo Bomfim?
Para Paulo Bomfim, a Academia Paulista de História (APH) representa um palco para sua paixão pela história e sua capacidade de compartilhá-la. Sua atuação na APH complementa sua identidade como poeta, permitindo-lhe aprofundar-se em temas que moldaram São Paulo e o Brasil. A academia é um espaço onde ele pode unir sua erudição com sua oratória, resgatando e celebrando figuras e momentos históricos com a mesma paixão e clareza que dedica à sua poesia.
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Fonte: https://www.estadao.com.br

