EUA avalia estratégia alternativa para o conflito
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria comunicado a seus assessores a disposição em encerrar o conflito com o Irã mesmo que o estratégico Estreito de Ormuz permaneça fechado. A informação, divulgada pelo jornal The Wall Street Journal com base em autoridades governamentais, indica uma mudança de foco na estratégia americana. Em vez de priorizar a reabertura imediata da rota marítima, Trump estaria mais interessado em atingir objetivos como o enfraquecimento da Marinha iraniana e a destruição de seu arsenal de mísseis.
Pressão diplomática e delegação de responsabilidade
Ainda segundo o jornal, a equipe de Trump avalia que uma operação para reabrir o estreito poderia prolongar a guerra para além do prazo inicial de seis semanas estabelecido pelo presidente. Diante disso, a estratégia seria focar em alcançar os objetivos militares primários e, paralelamente, exercer pressão diplomática sobre Teerã. Caso o fluxo de navios no Estreito de Ormuz continue interrompido, o presidente americano considera transferir a responsabilidade pela sua reabertura para aliados na Europa e no Golfo Pérsico.
Declarações públicas x estratégia interna
As informações veiculadas pelo The Wall Street Journal contrastam com algumas declarações públicas recentes de Trump. Na segunda-feira, o presidente americano ameaçou atacar a infraestrutura energética do Irã caso o país não concordasse com um acordo de paz e não reabrisse o estreito “em breve”. Em outra postagem em sua rede social, Truth Social, Trump sugeriu que países com dificuldades de obter combustível de aviação “criem coragem para ir até o estreito e simplesmente o tomem”, direcionando a sugestão a aliados como o Reino Unido.
Secretário de Defesa prevê dias “decisivos”
Em paralelo, o secretário da Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou que os próximos dias do conflito serão “decisivos”. Ele destacou que o Irã “praticamente não tem o que fazer militarmente a respeito” e que as últimas 24 horas registraram o menor número de drones e mísseis inimigos lançados pelo país. Hegseth também ressaltou a importância de que “outros países deveriam ouvir quando o presidente fala”, em referência às críticas de Trump a aliados que não se juntaram aos EUA na ação contra o Irã.
Crise do petróleo e impacto global
O Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% do petróleo e gás consumidos globalmente, está fechado desde o início do conflito em 28 de fevereiro, gerando turbulências nos mercados internacionais. Refinarias, depósitos de combustível e petroleiros de nações aliadas de Washington tornaram-se alvos iranianos, elevando o preço do barril de Brent de US$ 60 para mais de US$ 100, com picos próximos a US$ 120. A França estima que 30% a 40% da capacidade de refino do Golfo Pérsico foram danificados ou destruídos, causando um déficit de 11 milhões de barris diários no mercado. A Agência Internacional de Energia (AIE) já liberou 400 milhões de barris de suas reservas emergenciais e estuda novas medidas para mitigar a queda no fornecimento.

