Em uma noite eletrizante em Minneapolis, Bruce Springsteen e a E Street Band não apenas entregaram um espetáculo musical, mas também transformaram o concerto em um poderoso protesto contra as políticas de imigração da administração Trump. Diante de quase 18 mil pessoas no Target Center, o cantor de 76 anos expressou sua indignação e solidariedade, ecoando o sentimento de resistência da cidade.
A “Streets of Minneapolis” e o Grito por Justiça
Springsteen apresentou pela primeira vez sua nova música, “Streets of Minneapolis”, uma ode escrita em resposta à morte de Renee Nicole Good e Alex Pretti pelas mãos de agentes do ICE (Immigration and Customs Enforcement) na cidade. A canção, descrita como uma obra que captura o espírito da época, foi tocada no início da turnê “Land of Hope and Dreams”. O artista declarou ao público lotado: “No inverno passado, tropas federais trouxeram morte e terror para as ruas de Minneapolis. Eles escolheram a cidade errada.” Ele elogiou a força e a solidariedade do povo de Minneapolis e de Minnesota, afirmando que a resiliência da cidade é uma inspiração para todo o país e um lembrete de que “isto ainda é a América”.
Um Mar de Luzes e a Voz da Multidão
A energia da multidão atingiu seu ápice quando os celulares acesos iluminaram o Target Center, criando um mar de estrelas. Em uníssono, os presentes cantaram o refrão “ICE out now!” (“Fora ICE agora”), intensificando a mensagem de protesto. Os nomes de figuras associadas às políticas de imigração, como Kristi Noem e Stephen Miller, foram vaiados, enquanto Renee Good e Alex Pretti foram homenageados com aplausos.
Hinos de Resistência e Liberdade
O concerto foi marcado por uma seleção de músicas que ressoaram com o tema de resistência. Após o pedido de Springsteen para que o público escolhesse “a esperança em vez do medo, a democracia em vez do autoritarismo”, a noite culminou com um coro cantando “War”, de Edwin Starr. A performance foi seguida por “Born in the USA”, um de seus maiores sucessos, que a União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU) utiliza em sua campanha sobre a cidadania por nascimento. Springsteen, que permaneceu no palco por quase três horas, dedicou a noite a “Purple Rain” e encerrou o show com “Chimes of freedom”, de Bob Dylan, outra lenda de Minnesota, reforçando a mensagem de liberdade e a importância de discordar.

