Desaceleração da Inflação e Promoções: A Combinação Que Elevou o Varejo
O setor varejista registrou um desempenho acima das expectativas em outubro, apresentando um crescimento de 0,5% após uma retração de 0,3% em setembro. A desaceleração da inflação e a antecipação de campanhas promocionais, como a Black Friday, foram os principais fatores apontados por economistas para explicar esse resultado surpreendente. Apesar do fôlego extra, as projeções para o ano de 2025 indicam um crescimento mais moderado, em torno de 2%.
Black Friday Antecipada e Crédito: Motores das Vendas de Outubro
Especialistas como Gilberto Braga, economista e professor do Ibmec, destacam que o início antecipado das promoções da Black Friday em outubro, aliado ao uso estratégico do aniversário do cartão de crédito por parte dos consumidores para planejar o pagamento das faturas, contribuiu significativamente para o aumento das vendas. Essa antecipação de compras, combinada com a entrada do 13º salário, pode ter ‘roubado’ parte do movimento esperado para novembro e dezembro, sinalizando uma possível suavização no último trimestre do ano.
Resiliência e Dependência de Crédito: Um Cenário Misto
Gustavo Rostelato, economista da Armor Capital, observa que, mesmo com uma desaceleração ao longo do ano, o varejo demonstra um certo grau de resiliência. No entanto, Georgia Veloso, pesquisadora do FGV Ibre, aponta para uma análise mais detalhada dos segmentos. Embora outubro tenha apresentado uma recuperação modesta e uma variação positiva disseminada em comparação com os meses anteriores, a análise interanual revela que os setores mais ligados à renda tiveram um avanço mais expressivo. Em contrapartida, os segmentos que dependem mais de crédito e parcelamento continuam a registrar perdas em relação a 2024, evidenciando a influência da política monetária e o impacto do acesso ao crédito no comportamento do consumidor.
Perspectivas para 2025: Crescimento Moderado e Efeito Automotivo
Apesar do impulso de outubro, as projeções gerais para o crescimento do varejo em 2025 permanecem em torno de 2%. O setor de automóveis e autopeças, em particular, tem sido impulsionado por promoções agressivas e uma guerra de preços entre montadoras, o que pode ter um efeito pontual no desempenho geral. Os economistas ressaltam que os meses de novembro e dezembro são tradicionalmente fortes para o comércio, o que deve ajudar o ano a fechar com um crescimento acumulado que não fique aquém da meta estabelecida.

