Influenciador detido em Jundiaí; pai também tem histórico criminal
O influenciador Mateus Magrini Santana, irmão do MC Ryan SP, foi preso pela Polícia Federal em Jundiaí, interior de São Paulo. Ele é suspeito de integrar um esquema de lavagem de dinheiro que teria sido montado por seu irmão, Ryan Santana dos Santos. Segundo as investigações, Mateus atuava na recepção de recursos e na divulgação de plataformas de jogos de azar, utilizadas para movimentar dinheiro ilícito.
No momento da prisão, Mateus estava na casa de seu irmão e acompanhado de seu pai, Eduardo Magrini, conhecido como “Diabo Loiro”. O pai do influenciador já foi preso em outubro do ano passado sob suspeita de envolvimento com lavagem de dinheiro ligada ao PCC (Primeiro Comando da Capital).
Operação desmantela esquema bilionário de lavagem de dinheiro
A prisão de Mateus Magrini faz parte da Operação Narco Fluxo, deflagrada pela Polícia Federal nesta quarta-feira (15). A operação mira um esquema que movimentou mais de R$ 1,6 bilhão nos últimos 24 meses, utilizando artistas e influenciadores para lavar dinheiro proveniente do tráfico de drogas. O MC Ryan SP foi identificado como o líder e principal beneficiário econômico da estrutura.
Conforme o pedido de prisão temporária, Mateus era identificado como “receptor de fluxos financeiros e vetor de divulgação das plataformas de jogos de azar”. Na prática, ele seria responsável por captar recursos e promover apostas ilegais e rifas digitais, usadas como fachada para inserir dinheiro do tráfico de drogas no sistema financeiro formal.
Artistas e influenciadores como fachada para crimes financeiros
O delegado regional da Polícia Judiciária, Marcelo Maceira, explicou que a escolha de artistas e influenciadores com milhões de seguidores e alta circulação financeira é estratégica. Esses indivíduos conseguem movimentar grandes quantias sem levantar alertas imediatos nos sistemas de compliance bancário, tornando-se “muito úteis e facilmente recrutáveis” por organizações criminosas.
Para dificultar o rastreamento, o grupo utilizava processadoras de pagamento, realizava centenas de transferências fracionadas (técnica conhecida como “smurfing”), recorria a “laranjas” e empresas de fachada. No exterior, a organização utilizava ativos digitais, como a criptomoeda USDT (Tether), para remessas internacionais e ocultação de patrimônio.
Mais de 200 policiais em ação; envolvidos podem responder por diversos crimes
A operação contou com mais de 200 policiais federais cumprindo 45 mandados de busca e apreensão e 39 de prisão temporária em diversos estados do Brasil. Além de Mateus Magrini, outros investigados, como o MC Poze do Rodo e o dono da página “Choquei”, Raphael Sousa Oliveira, também foram alvos de mandados.
Os envolvidos poderão responder pelos crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A defesa de Mateus Magrini e de outros investigados alegou não ter acesso aos autos do processo, impossibilitando uma manifestação específica sobre os fatos até o momento. A GR6, empresa do empresário Rodrigo Inácio de Lima Oliveira, também alvo da prisão, afirmou que as transações financeiras referem-se a relações comerciais lícitas e regulares.

