O que parecia ser um simples exame de paternidade transformou-se em um intrigante caso científico na Colômbia. Uma mulher, dois anos após o nascimento de seus gêmeos, descobriu que os dois meninos possuíam pais diferentes. O fenômeno, conhecido como superfecundação heteroparental, ocorre quando dois óvulos do mesmo ciclo menstrual são fecundados por espermatozoides de homens distintos.
Um achado científico raro e surpreendente
O caso foi analisado pelo Laboratório de Genética de Populações e Identificação da Universidade Nacional da Colômbia. Diante da singularidade do resultado, os cientistas repetiram os testes para descartar qualquer erro, mas a conclusão se manteve: tratava-se de um episódio de superfecundação heteroparental. O geneticista William Usaquén, diretor do laboratório há 26 anos, afirmou à BBC News Mundo que este é o primeiro caso presenciado em sua carreira, destacando a raridade do evento.
Como funciona a superfecundação heteroparental?
A superfecundação heteroparental acontece quando uma mulher libera mais de um óvulo em um mesmo ciclo menstrual e tem relações sexuais com parceiros diferentes em um curto período. Se ambos os óvulos forem fecundados por espermatozoides distintos, o resultado são gêmeos com pais biológicos diferentes. A obstetra Daniela Maeyama explica que a janela fértil da mulher, o tempo de sobrevivência dos óvulos (até 48 horas) e dos espermatozoides (até 72 horas) favorecem essa possibilidade.
A ciência por trás da descoberta
Para confirmar a paternidade e a singularidade do caso, os pesquisadores colombianos utilizaram a análise de marcadores microssatélites, trechos específicos do DNA que funcionam como uma impressão digital genética. Amostras de sangue da mãe, dos gêmeos e do suposto pai foram coletadas. A análise revelou que apenas um dos gêmeos possuía compatibilidade genética com o homem testado, enquanto o outro apresentava um perfil genético completamente diferente. A repetição do exame confirmou a inconsistência, eliminando a possibilidade de falha técnica.
Um evento improvável, mas possível
A raridade do fenômeno se deve a uma combinação de fatores pouco comuns: a mulher precisa ter relações com dois parceiros em um curto espaço de tempo, ovular mais de um óvulo no mesmo ciclo e que ambos sejam fecundados. A estimativa é que esse tipo de gestação ocorra em cerca de um a cada 13 mil nascimentos, mas os especialistas acreditam que o número pode ser maior, já que muitos casos podem passar despercebidos por não serem rotineiramente investigados. A descoberta na Colômbia reforça como a biologia pode desafiar expectativas e como os avanços na genética continuam a revelar aspectos fascinantes da reprodução humana.

