Uma parte da oposição do São Paulo Futebol Clube iniciou um movimento para afastar Julio Casares da presidência. O grupo, autodenominado “Salve o Tricolor Paulista”, protocolou nesta segunda-feira (15) um pedido de afastamento imediato não apenas de Casares, mas também do superintendente de futebol Márcio Carlomagno e dos diretores Douglas Schwartzmann e Mara Casares.
O Esquema de Camarotes e os Envolvidos
A motivação para o pedido reside na revelação de um suposto esquema de comercialização clandestina de camarotes no Estádio do Morumbi, especificamente em dias de shows. Um áudio, divulgado pelo site Ge, detalhou a operação ilegal, que teria gerado ganhos a diretores do clube.
Douglas Schwartzmann, que admitiu ter lucrado com a situação, licenciou-se do cargo de diretor-adjunto de futebol de base. Mara Casares, ex-mulher do presidente e que ocupava a diretoria feminina, cultural e de eventos, também deixou sua função. O camarote central da controvérsia é o “3A”, localizado no setor leste do Morumbi, que nos documentos internos do São Paulo é identificado como “sala presidência”.
A Justificativa da Oposição
Na carta encaminhada, os conselheiros da oposição argumentam que é “praticamente impossível afastar a hipótese de ciência por parte do mandatário máximo do clube nos fatos noticiados”. Segundo eles, essa circunstância impõe, “de forma indiscutível, o seu afastamento cautelar, em conjunto com seu Superintendente, dos respectivos cargos”. A carta também pede o afastamento cautelar de Mara Casares e Douglas Schwartzmann de suas posições no Conselho Deliberativo.
Os conselheiros do grupo “Salve o Tricolor Paulista” já haviam solicitado a renúncia de Casares no final de novembro, demonstrando uma oposição persistente à atual gestão.
Caminho para o Prosseguimento
Para que o pedido de afastamento seja formalmente encaminhado ao presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres, é necessário que a petição obtenha o apoio de pelo menos 20% dos conselheiros, o que corresponde a 52 das 260 cadeiras do Conselho. A documentação apresentada pela oposição busca iniciar um processo de investigação interna e, eventualmente, a destituição dos envolvidos, alegando um “esquema manifestamente vexatório de desvio de receitas” do clube.

