Brasil Lidera Energias Renováveis Mas Enfrenta Gargalos Na Cadeia Produtiva E Minerais Críticos, Dizem Especialistas

Brasil Lidera Energias Renováveis Mas Enfrenta Gargalos na Cadeia Produtiva e Minerais Críticos, Dizem Especialistas

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Desafios na Transição Energética Global

O Brasil, apesar de deter uma matriz energética mais limpa que a média mundial e um expressivo potencial em fontes renováveis, ainda se depara com obstáculos significativos para assumir uma posição de liderança na transição energética global. Especialistas reunidos no evento “O Brasil como potência na energia limpa”, em Brasília, apontaram que o baixo adensamento da cadeia produtiva do setor e os desafios na exploração de minerais críticos são os principais entraves.

O debate, promovido pelo projeto Transição Energética, uma iniciativa do GLOBO e do Valor Econômico com patrocínio da Vale, analisou as vantagens comparativas do Brasil, como sua matriz elétrica limpa, abundância de recursos naturais e escala, mas também os limites que impedem o país de se consolidar como líder internacional. A discussão sobre minerais críticos ganhou destaque devido à sua importância na fabricação de carros elétricos, painéis solares, semicondutores e turbinas eólicas, componentes cruciais para a descarbonização.

Minerais Críticos e a Cadeia Produtiva Nacional

O Brasil figura como o segundo país com as maiores reservas de minerais críticos do mundo, atrás apenas da China. Diante desse cenário, o Congresso Nacional está em processo de elaboração de uma política nacional para o setor. O deputado federal Arnaldo Jardim, relator do projeto e presidente da Comissão da Transição Energética da Câmara, enfatizou a necessidade de o Brasil ir além da exportação de commodities, buscando agregar valor em etapas superiores de processamento.

“O jargão óbvio é que o Brasil não pode ser um mero exportador de commodities, mas deve buscar as etapas superiores aqui de tratamento. Também buscaremos ter abertura para que venham os investimentos e recursos, venham de onde vier”, afirmou Jardim, destacando a importância de uma visão ampla e de parcerias plurais para o desenvolvimento do setor.

Eletrificação e o Papel do Transporte

André Luís Ferreira, diretor-executivo do Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema), ressaltou a tendência global de expansão da eletrificação nos próximos anos, com ênfase especial no setor de transportes, um dos maiores emissores de poluentes no Brasil. Segundo ele, mais de 50% do consumo de combustível fóssil no país está concentrado nos transportes, sendo que metade desse montante se refere a caminhões e transporte de longa distância.

Embora o Brasil possua um programa de biocombustíveis bem-sucedido, o grande desafio para a eletrificação reside no transporte de carga de longa distância. Dados da Anfavea indicam um aumento na venda de veículos eletrificados, com 100 mil unidades emplacadas nos primeiros três meses do ano, contudo, esse crescimento ainda é majoritariamente restrito a veículos de curta distância.

Tecnologia e Mitigação Ambiental

Alexandre Strapasson, professor do Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília (UnB), apontou o desenvolvimento de tecnologias para mitigar danos ambientais como outro caminho para o Brasil se consolidar como um player global na transição energética. Ele destacou a experiência brasileira em engenharia e a oportunidade de catalisar investimentos em áreas como remoção de carbono da atmosfera, reflorestamento em massa e bioenergia.

“Temos uma experiência de engenharia de todo esse processo, e estamos com a chance de catalisar investimentos nesse sentido. A nossa indústria da tecnologia pode ser catalisada justamente por essa oportunidade das renováveis”, disse Strapasson, ressaltando o potencial para viabilizar mercados de carbono mais acessíveis.

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