O São Paulo Futebol Clube abriu um procedimento interno para investigar a suspeita de uma funcionária fantasma, intensificando a já efervescente crise política nos bastidores do clube. A apuração, conduzida pelo presidente Harry Massis Jr., foca em uma secretária ligada a Olten Ayres de Abreu Jr., atual presidente do Conselho Deliberativo e ex-aliado de Julio Casares, que deixou a presidência após se tornar alvo de investigações do Ministério Público.
A Suspeita e as Evidências
A funcionária em questão, Ivana Zavatti, está registrada como Assistente Administrativo desde fevereiro de 2021. A investigação se baseia no fato de que Ivana mantém uma rotina de trabalho em ‘home office’, um modelo não adotado pelo São Paulo, e não comparece às instalações do clube, seja no MorumBis ou na Barra Funda. As informações foram inicialmente divulgadas pelo Ge e confirmadas pelo Estadão.
Um dos principais indícios de irregularidade é a folha de ponto referente aos períodos de janeiro e março de 2026, que apresenta registros de entrada e saída idênticos todos os dias: 8h, intervalo das 13h às 14h, e encerramento às 17h48. Além disso, Ivana envia suas folhas de frequência ao RH do São Paulo por meio de um e-mail corporativo externo, pertencente ao escritório de advocacia particular de Olten Ayres, levantando a suspeita de que ela preste serviços privados enquanto é remunerada pelo clube, com um salário de aproximadamente R$ 7 mil. Diante da investigação, a demissão da funcionária é considerada provável.
O Epicentro da Crise: Olten Ayres
Olten Ayres de Abreu Jr., figura central nesta nova polêmica, já é alvo de um pedido de afastamento pela Comissão de Ética do clube, em um processo administrativo disciplinar que questiona sua atuação. A votação sobre sua permanência na presidência do Conselho Deliberativo está prevista para os próximos dias. A crise política no São Paulo ferve há pelo menos duas semanas, desde que Harry Massis Jr. protocolou um pedido de afastamento de Ayres do quadro associativo, acusando-o de gestão temerária na reforma estatutária do clube.
Guerras Políticas no MorumBis
O cenário político do São Paulo é de intensa disputa. O pedido de afastamento de Massis contra Ayres foi encaminhado à Comissão de Ética, a mesma que já indicou a expulsão de Douglas Schwartzmann e Mara Casares. Embora a Comissão tenha sugerido suspensão, e não expulsão, de Ayres, a questão será votada pelo Conselho Deliberativo em 12 de maio. A Comissão de Ética também analisa um pedido de expulsão de Julio Casares, ex-presidente com contas reprovadas.
Paralelamente, Harry Massis Jr. também se tornou alvo de um pedido de expulsão por gestão temerária, protocolado pelo conselheiro vitalício Carlos Henrique Sadi. O documento cita suposta irregularidade na formação do Conselho de Administração, que não contaria com o número mínimo de três conselheiros independentes, conforme o estatuto – uma situação que, segundo a gestão, já foi corrigida. Tentativas de impeachment contra Massis não avançaram, mas o caso desenha um panorama eleitoral complexo, com antigos opositores de Casares e ex-aliados (como Olten Ayres) contra Massis e outras forças internas.
A Defesa de Olten Ayres
Em nota, Olten Ayres de Abreu Jr. esclareceu que a colaboradora atuava em regime remoto desde sua contratação em 2021, com dedicação às atividades do clube e submetida a controles internos, incluindo o de ponto. Ele afirmou que suas atribuições envolviam apoio administrativo e operacional à Presidência do Conselho Deliberativo, organização de agenda e demandas institucionais. Ayres ressaltou que o apoio administrativo não é exceção, citando que a própria Presidência da Diretoria Executiva conta com quatro secretárias.
Sobre o uso de e-mail externo, Olten justificou a medida como tendo finalidade técnica, organizacional e de segurança da informação, afirmando que ele próprio não utiliza o e-mail institucional do SPFC para comunicações sensíveis, visando preservar sigilo e rastreabilidade. Ele declarou não ter conhecimento de qualquer fato concreto ou irregularidade contra a colaboradora e considerou o desligamento como uma medida “arbitrária, desproporcional e sem justificativa razoável”, percebendo-a como uma retaliação política à sua atuação institucional. Ayres defendeu que nenhuma colaboradora deve ser penalizada sem causa objetiva aparente, especialmente por exercer funções conhecidas e controladas pelo próprio clube.

