A cidade do Rio de Janeiro deu um passo importante na modernização do seu sistema de transporte público com a introdução de cerca de 100 novos ônibus nas ruas. Os veículos, que já circulam com a nova identidade visual unificada do Sistema RIO, pertencem ao Consórcio Santa Cruz e atuam na Zona Oeste, uma região que será prioritária na nova licitação prevista para fevereiro.
Consórcio Santa Cruz Lidera Renovação em Zona Oeste
A operação desses novos veículos, que reforçam o atendimento em aproximadamente 20 bairros da Zona Oeste, como Sepetiba, Santa Cruz, Campo Grande e Bangu, representa o início de uma nova fase para o sistema de ônibus convencional da cidade. Segundo a Secretaria Municipal de Transportes (SMTR), a medida visa não apenas renovar a frota, mas também reduzir os intervalos em linhas estratégicas, prometendo maior regularidade e conforto para os usuários.
O prefeito Eduardo Paes destacou a importância da iniciativa, comparando-a a um “primeiro petisco” dos 4.500 ônibus que deverão compor a nova frota da cidade. Ele ressaltou os desafios para essa transformação, mencionando “interesse em jogo, ação judicial, liminar e briga com máfia”, mas reafirmou o compromisso da gestão em avançar com a implantação do sistema Jaé e com as licitações.
Nova Identidade Visual e Melhorias Operacionais
A adoção da identidade visual unificada do Sistema RIO, oficializada em agosto, aplica-se a veículos zero quilômetro e exclusivamente a linhas cuja frota seja totalmente renovada. Essa padronização busca fortalecer a imagem do transporte público e facilitar a transição para o novo modelo de concessão. As melhorias incluem a redução de intervalos em diversas linhas importantes da Zona Oeste. Por exemplo, a linha 753 (Santa Cruz – Coelho Neto) teve seu intervalo reduzido de 24 para 13 minutos, e a linha 731 (Campo Grande – Marechal Hermes) de 15 para 10 minutos.
Licitação Histórica e Novo Modelo de Concessão
A primeira etapa da licitação do Sistema RIO – Rede Integrada de Ônibus, que será realizada em fevereiro, focará em três lotes na Zona Oeste, com um investimento estimado em R$ 500 milhões. A sessão pública está marcada para o dia 6 de fevereiro, e os vencedores deverão iniciar a operação em abril de 2026. As novas concessões terão validade de dez anos, prorrogáveis, e exigirão das empresas a aquisição e operação da frota, manutenção, gestão de garagens e implantação de sistemas inteligentes de transporte.
O novo modelo prevê remuneração por quilômetro rodado, subsídio público e avaliação de desempenho trimestral através do Índice de Desempenho do Transporte (IDT). Os ônibus deverão ser totalmente acessíveis, equipados com ar-condicionado, piso baixo, três portas e tecnologia Euro VI. A extinção do pagamento em dinheiro a bordo, com bilhetagem exclusivamente eletrônica, também faz parte das novidades. A prefeitura planeja expandir gradualmente o novo modelo até 2028, priorizando áreas com pior desempenho operacional.
Confiança e Rigor nas Novas Concessões
A secretária municipal de Transportes, Maíra Celidonio, ressaltou o peso simbólico da chegada dos novos ônibus antes mesmo da assinatura dos contratos do novo sistema, vendo-a como um reflexo da confiança dos empresários na gestão atual. O prefeito Paes, por sua vez, afirmou que a disputa pela licitação será aberta, mas condicionada ao cumprimento rigoroso das regras. Ele enfatizou que as empresas que operarem com seriedade e qualidade receberão o respeito do poder público e o carinho da população, enquanto aquelas que não cumprirem as exigências terão consequências negativas.
Sobre a participação de empresas que atualmente operam no sistema, Paes esclareceu que a legislação não permite veto automático, mas indicou que pré-requisitos rigorosos podem impedir a participação de operadores com histórico de má gestão ou envolvimento com práticas ilícitas. A expectativa é que a tecnologia, com monitoramento em tempo real, garanta maior transparência e eficiência na operação futura.

