O Glicogênio é o Combustível Inicial
Ao iniciar qualquer atividade física, seu corpo prioriza o uso de glicogênio, uma forma de carboidrato armazenada nos músculos e no fígado. Essa escolha se deve à rápida mobilização e eficiência dos carboidratos em fornecer energia imediata, especialmente durante treinos mais intensos, como musculação ou exercícios aeróbicos de alta performance. O glicogênio é a fonte de energia de acesso mais rápido para o corpo.
A Gordura Entra em Cena Após 20 Minutos
Geralmente, após cerca de 20 a 30 minutos de atividade contínua, em uma intensidade moderada, seu organismo começa a recorrer à gordura de forma mais significativa como combustível. Isso não significa que a queima de gordura não ocorra antes desse período, mas sim que a sua contribuição energética é menor. À medida que os estoques de glicogênio diminuem, o corpo é impelido a buscar nas reservas de gordura a energia necessária para manter o esforço.
Condicionamento Físico e Intensidade: Fatores Cruciais
Seu nível de condicionamento físico e a intensidade do exercício desempenham papéis importantes nesse processo. Pessoas mais treinadas possuem adaptações metabólicas que lhes permitem utilizar a gordura como fonte de energia de maneira mais eficiente e precoce, inclusive em intensidades mais elevadas. Isso ocorre devido à melhora do sistema cardiovascular e da capacidade mitocondrial. Por outro lado, indivíduos sedentários tendem a depender mais de carboidratos nas fases iniciais do treino e demoram mais para acessar as reservas de gordura.
Em relação à intensidade, exercícios de baixa a moderada intensidade, como caminhadas ou ciclismo em ritmo constante, favorecem o uso da gordura. Já treinos de alta intensidade, embora resultem em maior gasto calórico total, levam o organismo a preferir os carboidratos por serem metabolizados mais rapidamente. Para quem busca a queima de gordura, a combinação de exercícios mais longos com intensidade moderada é frequentemente recomendada, mas treinos curtos e intensos também possuem seus benefícios específicos, especialmente no que tange ao gasto calórico total e ao EPOC.
O Legado do Treino: EPOC e Adaptações a Longo Prazo
É importante notar que a queima de gordura não se encerra com o fim do exercício. O corpo continua a gastar energia para se recuperar, um fenômeno conhecido como EPOC (Excesso de Consumo de Oxigênio Pós-exercício). Essa fase pós-treino pode prolongar a queima calórica por horas, contribuindo também para a oxidação de gordura. Além disso, o treino regular promove adaptações que melhoram o transporte e a eficiência da queima de gordura, além de aumentar a massa muscular, o que eleva a Taxa Metabólica Basal, aumentando a capacidade geral de queima calórica do corpo em repouso.

