Libertação de Detidos em Massa
Cerca de 87 pessoas presas durante os protestos contra a reeleição de Nicolás Maduro em 2024, alegadamente fraudulentas pela oposição, foram liberadas na Venezuela. A informação foi confirmada por duas organizações não governamentais (ONGs) nesta quinta-feira. O Comitê pela Liberdade dos Presos Políticos (Clippve) relatou a soltura de detidos políticos da prisão de Tocorón, no estado de Aragua.
Segundo Grupo de Liberações em Uma Semana
Esta é a segunda onda de libertações em menos de uma semana. No Natal, as autoridades venezuelanas anunciaram a soltura de 99 indivíduos, embora o Foro Penal, outra ONG, tenha conseguido verificar apenas 61 casos. Estima-se que ainda haja mais de 700 pessoas detidas por motivos políticos no país.
Protestos e Repressão em 2024
As eleições presidenciais de 2024 resultaram em protestos que deixaram 28 mortos e aproximadamente 2.400 presos, em um cenário de aumento da repressão policial. A oposição venezuelana denunciou fraude e ratificou a vitória de Edmundo González. Desde então, a Justiça venezuelana liberou mais de 2.000 detidos, segundo dados oficiais.
Pressão Internacional e Detenções de Americanos
As libertações ocorrem em meio a uma crescente pressão dos Estados Unidos contra o governo Maduro. Washington intensificou suas ações no Caribe, com o fechamento informal do espaço aéreo venezuelano e a apreensão de petroleiros sancionados. Paralelamente, um funcionário americano, sob condição de anonimato, revelou que várias forças de segurança venezuelanas detiveram cidadãos americanos nos meses seguintes à imposição de sanções pelo governo de Donald Trump. Alguns enfrentam acusações criminais, enquanto outros podem ser considerados detidos injustamente.
Maduro e o Uso de Detidos como Moeda de Troca
Maduro tem um histórico de usar americanos detidos como moeda de troca em negociações com Washington. Durante o mandato de Trump, houve negociações que resultaram na libertação de 17 cidadãos americanos. No entanto, a suspensão dessas negociações em favor de uma campanha de pressão militar e econômica levou a um aumento no número de americanos detidos na Venezuela nos últimos meses. Turistas e indivíduos com dupla cidadania estão entre os detidos.
Casos de Detenções e Acusações
O caso de James Luckey-Lange, um turista americano desaparecido após cruzar a fronteira sul da Venezuela em dezembro, é um dos exemplos recentes. Ele pode ser considerado um dos detidos injustamente. Outros americanos libertados relataram condições abusivas e falta de devido processo legal. Renzo Huamanchumo Castillo, peruano-americano, foi acusado de terrorismo e conspiração após viajar para encontrar a família de sua esposa, relatando ter sido espancado e recebido água barrenta durante sua detenção. Pelo menos dois outros indivíduos com ligações aos EUA, Aidel Suarez e Jonathan Torres Duque, permanecem presos no país.

