Eua Ainda Sem Plano Definido Para Venezuela Pós Maduro Após Ataque, Aponta Jornal

EUA ainda sem plano definido para Venezuela pós-Maduro após ataque, aponta jornal

Noticias do Dia

Incertezas no pós-Maduro: EUA sem plano concreto para Venezuela

Apesar do anúncio festivo do presidente americano Donald Trump sobre a captura de Nicolás Maduro e o comando dos EUA na transição venezuelana, os planos para o futuro do país ainda carecem de detalhes concretos. Segundo o jornal The Wall Street Journal (WSJ), secretários de Estado e da Defesa, juntamente com conselheiros de Trump, estão em processo de desenvolvimento de uma estrutura de governo para o período pós-Maduro, mas a proposta ainda não está definida.

Trump evita oposição tradicional e mira petróleo venezuelano

Na coletiva de imprensa, Trump não descartou a possibilidade de manter tropas americanas na Venezuela ou de realizar novos ataques, se necessário. Uma decisão que causa apreensão em Washington. Notavelmente, o presidente americano indicou que não pretende colaborar com figuras proeminentes da oposição chavista, como a Nobel da Paz María Corina Machado. Em contrapartida, Trump expressou interesse em explorar as vastas reservas de petróleo venezuelanas. Em resposta à operação, a vice-presidente Delcy Rodríguez e outros altos escalões do governo venezuelano reafirmaram lealdade a Maduro, declarando-o o “único presidente” e exigindo sua libertação.

Custos e instabilidade: os desafios da intervenção americana

O Pentágono, sob o comando do Secretário da Defesa, ainda não tem clareza sobre a duração da permanência militar na região nem sobre o número de tropas necessárias para uma eventual ocupação. Desde meados de agosto, os EUA intensificaram sua presença militar no Caribe, inicialmente justificada pelo combate ao narcotráfico, mas que se revelou parte de uma estratégia para remover Maduro do poder. A questão do financiamento da operação também é um ponto de interrogação. Estimativas de dezembro indicavam que a operação “Lança do Sul” já havia custado US$ 600 milhões aos cofres americanos, sem contar os gastos com o recente ataque. Apesar disso, não há planos imediatos para solicitar verbas adicionais ao Congresso.

Petróleo como solução e o risco de conflito interno

Trump sugeriu que os lucros da venda de petróleo venezuelano poderiam ser utilizados para custear o plano de transição. No entanto, o setor petrolífero venezuelano enfrenta sérios problemas estruturais, resultado de décadas de sanções e falta de investimento, o que pode demandar anos e bilhões de dólares para ser recuperado. Adicionalmente, a instabilidade interna é um risco considerável. O sentimento anti-Washington, presente desde os tempos de Hugo Chávez, pode levar a uma resistência significativa à tutela americana. Analistas alertam para o pior cenário: uma divisão nas Forças Armadas venezuelanas, com partes aderindo ao plano dos EUA e outras resistindo, culminando em um conflito armado interno. Em Washington, nem todos apoiam os planos incipientes da Casa Branca, com alguns senadores expressando preocupação com a possibilidade de novos conflitos desnecessários e não autorizados pelo Congresso.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *