A incorporação da estimulação medular ao Sistema Único de Saúde (SUS) para o tratamento de dores crônicas refratárias representa um marco importante na saúde pública brasileira. Milhões de pessoas que sofrem com dores persistentes, que afetam significativamente sua rotina, trabalho e vida social, terão acesso a uma nova opção terapêutica. A decisão reafirma o compromisso do SUS com a universalidade e a oferta de tratamentos baseados em evidências científicas.
Um tratamento consolidado agora acessível a todos
A estimulação medular é uma tecnologia consolidada e eficaz, indicada para pacientes que já esgotaram outras alternativas terapêuticas e continuam a conviver com dor intensa e limitações funcionais. Estudos internacionais demonstram que o procedimento pode reduzir a dor em mais de 50%, diminuir a dependência de medicamentos e melhorar expressivamente a qualidade de vida dos pacientes. Embora já realizado na rede particular há alguns anos, a partir de abril de 2026, o SUS oferecerá essa terapia adicional, corrigindo uma assimetria no cuidado.
Impacto socioeconômico e na saúde pública
Além de seu benefício clínico direto, a estimulação medular possui um impacto positivo na saúde pública e na economia. Pacientes com dor crônica refratária frequentemente experimentam perda de qualidade de vida, afastamento do trabalho, internações recorrentes, uso frequente de serviços de emergência e problemas de saúde mental. Ao restaurar a funcionalidade, o tratamento contribui para a retomada da autonomia, aumenta a capacidade produtiva, reduz a sobrecarga nos serviços de saúde e benefícios previdenciários, e facilita a reinserção social.
Investimento com retorno a longo prazo
Embora o custo inicial da terapia seja elevado, estimado em R$ 490 milhões em cinco anos pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), os reflexos positivos a médio e longo prazo têm o potencial de compensar esse investimento. A redução de custos indiretos associados à dor crônica refratária, como internações e afastamentos, pode tornar o procedimento economicamente viável. No entanto, o alto custo impõe uma responsabilidade clínica, técnica e ética aos profissionais de saúde na seleção rigorosa dos candidatos e no acompanhamento dos pacientes.
Desafios na implementação e a importância do acompanhamento
A implementação da estimulação medular no SUS exigirá a atualização de protocolos clínicos, a habilitação de serviços especializados e a capacitação de neurocirurgiões e anestesistas da dor. A logística e a rede de atendimento podem apresentar desafios, com risco de concentração de serviços e inequidade territorial. É fundamental que os cidadãos acompanhem a implementação desta política pública e exijam acesso qualificado ao cuidado. A saúde pública de qualidade se mede não apenas pela sobrevida, mas pela capacidade de viver mais e melhor, com menos dor, mais autonomia e maior participação social. A estimulação medular representa um avanço significativo nessa perspectiva.

