Inverno Rigoroso e Guerra: Kiev em Alerta Máximo
A capital ucraniana, Kiev, enfrenta uma situação crítica nesta sexta-feira, com metade de seus edifícios residenciais sem aquecimento. O colapso da infraestrutura de calefação é resultado de intensos ataques russos que ocorreram durante a noite, deixando um rastro de destruição e pelo menos quatro mortos. Em meio a temperaturas que atingem os -8°C e com previsão de queda, o prefeito Vitali Klitschko fez um apelo urgente aos moradores que tiverem condições: que deixem a cidade temporariamente.
Ataque Hipersônico e Danos à Infraestrutura
O ataque, descrito como um dos mais intensos desde o início da guerra, incluiu o uso de um míssil hipersônico Oreshnik por parte de Moscou, uma arma de alta tecnologia que representa um novo nível de escalada no conflito. Segundo o prefeito Klitschko, quase 6.000 prédios residenciais foram afetados, ficando sem aquecimento. A empresa de energia DTEK reportou que 417.000 residências em Kiev estão sem eletricidade. Além disso, cerca de 40 prédios foram danificados, incluindo 20 residenciais e a embaixada do Catar. A polícia confirmou quatro mortos e 24 feridos.
Contexto Diplomático e Ameaças Russas
Os bombardeios ocorreram logo após a Rússia rejeitar um plano europeu para o envio de uma força multinacional à Ucrânia, caso a guerra chegue ao fim. Moscou, que já havia utilizado um míssil similar no final de 2024, classificou a presença de tropas ocidentais em território ucraniano como alvo militar legítimo. O uso do míssil hipersônico, que a Rússia alega ter sido em resposta a um ataque com drone, é visto pela Ucrânia e seus aliados como uma provocação e uma ameaça direta à segurança europeia. O ministro das Relações Exteriores ucraniano, Andriy Sibiga, classificou o ataque como um “teste” para os aliados de Kiev e uma “séria ameaça à segurança do continente europeu”.
Reações Internacionais e Impacto Regional
A comunidade internacional reagiu com preocupação. A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, considerou o lançamento do míssil um sinal claro de “escalada”. Reino Unido, Alemanha e França classificaram a ação como “inaceitável”. Analistas apontam que a escolha de locais próximos às fronteiras da União Europeia e da OTAN, como Lviv, busca “enviar um sinal” e “lembrar os países europeus de sua vulnerabilidade”. Enquanto isso, do lado russo, a região de Belgorod também reportou blecautes e interrupção no aquecimento e abastecimento de água após um ataque ucraniano.

