Reabertura marcada por lembranças e insegurança
O Shopping Tijuca reabriu suas portas nesta sexta-feira, duas semanas após o incêndio que resultou na morte de dois funcionários. A retomada das atividades foi acompanhada por um persistente cheiro de fumaça e um clima de apreensão entre os trabalhadores e frequentadores. A administração do centro comercial buscou amenizar o odor com difusores aromáticos, mas a lembrança do ocorrido ainda paira no ambiente.
A reabertura é gradual e facultativa, pois o subsolo e parte do primeiro piso, onde funcionam 14 lojas, continuam interditados pela Defesa Civil. Funcionários de estabelecimentos não afetados estruturalmente começaram a chegar cedo, expressando insegurança. “Temos medo de algo parecido acontecer e não termos como escapar, assim como os dois que morreram”, relatou uma funcionária da praça de alimentação que preferiu não se identificar.
Interdição parcial e exigências para reabertura total
O Corpo de Bombeiros informou que o subsolo e parte do térreo permanecem interditados devido aos danos significativos nos sistemas de combate a incêndio e em elementos estruturais. A liberação total do shopping dependerá da completa recuperação dessas áreas, incluindo a recomposição e o pleno funcionamento dos sistemas de segurança contra incêndio e pânico, além da eliminação de todos os riscos identificados.
A administração do shopping declarou em nota que a retomada das operações não diminui a consternação pela perda dos colaboradores Emellyn e Anderson, e que o shopping segue colaborando com as autoridades. O subprefeito da Grande Tijuca, Higor Gomes, esteve presente para acompanhar a abertura.
Salas de aula e homenagens emocionadas
Mesmo em andares superiores, como o 15º andar onde fica a faculdade Estácio, o calor e a sujeira decorrentes do incêndio ainda impactam o retorno. Adriano Santiago, coordenador do polo da Estácio, mencionou a dificuldade em retomar as atividades devido às condições. Emocionada, uma funcionária da praça de alimentação, amiga da brigadista Emellyn Silva Aguiar Menezes, relembrou sua colega como uma pessoa extraordinária e essencial no dia a dia do shopping.
Investigação em andamento
A perícia da Polícia Civil investiga a origem do incêndio e apura o cumprimento dos protocolos de segurança, incluindo o tempo de acionamento dos bombeiros e a execução do plano de evacuação. A investigação também analisa se o shopping poderia ter tomado medidas adicionais diante de riscos já apontados em uma vistoria realizada dias antes do incidente. O relatório dessa inspeção, elaborado pelos falecidos Anderson Aguiar do Prado e Emellyn Silva Aguiar, indicava a presença de materiais combustíveis em áreas técnicas e detectores de incêndio inoperantes.
O incêndio, que teria começado em uma loja de decoração, foi combatido pelos bombeiros a partir das 18h28 do dia 2 deste mês. Anderson Aguiar do Prado chegou sem vida ao hospital, enquanto Emellyn Silva Aguiar Menezes foi retirada do local sem sinais de queimaduras, com a principal hipótese sendo inalação de fumaça. Outras três pessoas ficaram feridas.

