Atividade econômica surpreende e adia expectativas de flexibilização monetária
O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) apresentou um crescimento de 0,7% em novembro, um resultado acima das expectativas do mercado. Essa expansão indica que a economia brasileira está mais aquecida do que o consenso vinha projetando, o que, segundo economistas, diminui ainda mais o espaço para um corte na taxa básica de juros (Selic) já na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para o final de janeiro.
Cortes de juros: de janeiro para março?
Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, avalia que o dado do IBC-Br enfraquece o argumento de uma desaceleração econômica. “O IBC-Br corrobora nossa visão de cortes apenas em março. Corte já em janeiro nos parece precipitado dada a incerteza do comportamento da atividade econômica, que apresentou bom desempenho em novembro, e a resiliência do mercado de trabalho”, afirma. A economista mantém sua projeção de alta de 0,1% para o PIB no quarto trimestre e um crescimento de 2,3% em 2025, apostando que o comunicado do Copom deixará clara a necessidade de mais dados antes de iniciar o ciclo de cortes.
Mercado de trabalho resiliente e inflação em foco
Gustavo Trotta, sócio da Valor Investimentos, destaca que o resultado do IBC-Br veio mais que o dobro da expectativa do mercado, reforçando a ideia de uma economia mais aquecida. Ele prevê que esse dado influenciará o debate sobre o momento do início do ciclo de corte de juros. “É um dado super importante. Sem dúvida, isso vai trazer para a decisão do Copom na próxima reunião algum tópico sobre essa necessidade do corte: será que precisa ser mesmo feito agora ou vamos adiar isso para abril?”, questiona, lembrando que o aquecimento da economia pode impactar a inflação de serviços, que lidera as altas de preços em 2025.
Divergências e a importância da média móvel
André Valério, economista sênior do Banco Inter, aponta uma divergência entre o IBC-Br e outros indicadores divulgados pelo IBGE, que mostraram estabilidade na indústria e recuo nos serviços em novembro. No entanto, Valério considera a análise pela média móvel trimestral mais adequada. Essa métrica também aponta para uma alta na atividade econômica, com crescimento de 0,2% em novembro, mantendo uma trajetória de aceleração pelo quarto mês consecutivo. “Esse resultado, em conjunto com o dado de inflação divulgado na semana passada, praticamente elimina a possibilidade de um corte da Selic em janeiro. Ainda assim, acreditamos que as condições para o início da flexibilização da política monetária estão dadas, o que deve ocorrer a partir da reunião de março”, conclui.

