Um Fenômeno Geracional em Santa Catarina
A Praia do Rosa, em Santa Catarina, que por anos foi sinônimo de refúgio para surfistas e um destino tranquilo para famílias, vive uma transformação acelerada. Neste verão, o local se tornou o epicentro de um fenômeno geracional: a chegada em massa de grupos de jovens argentinos, com idades entre 19 e 22 anos. Essa nova onda de turistas não só garantiu uma ocupação recorde, mas também trouxe consigo novos desafios para a convivência em um balneário que luta para manter seu equilíbrio.
O Roteiro Argentino Que Explodiu no Rosa
Originários, em grande parte, da zona norte da província de Buenos Aires, esses jovens seguem um percurso que se tornou quase um rito de passagem: Pinamar aos 17, Chapadmalal aos 18 e, finalmente, a Praia do Rosa a partir dos 19. Neste ano, esse circuito atingiu seu ápice, com praticamente todas as acomodações indisponíveis. A alta demanda levou proprietários a priorizarem o aluguel de suas casas para esses grupos, em detrimento de outros perfis de visitantes.
Tensões e Adaptações: O Desafio da Convivência
A “maré juvenil” contrasta com a chegada de famílias que frequentam o Rosa há décadas. O resultado são algumas tensões, como a desordem deixada na areia após os tradicionais “after beach”, que incomoda quem preza pela tranquilidade e limpeza. O cenário, que evoluiu de um santuário de surfistas para um destino familiar, agora atravessa um verão de transição. O grande desafio é conciliar o crescimento e a popularidade com a preservação da identidade original do local. A praia se divide informalmente: o sul é predominantemente brasileiro, o centro abriga as famílias argentinas com suas cadeiras e caixas térmicas, e o norte pulsa com a energia jovem, marcada por música alta, risadas e o prolongamento das festas até o fim da tarde.
Um Paraíso Sob Pressão: Preços e Desafios Ambientais
A demanda aquecida se reflete diretamente nos preços. Uma cama em uma pousada de qualidade pode custar em torno de US$ 100 por noite, com quartos ou cabanas maiores chegando a US$ 600 diários. Além do aspecto econômico, a convivência também levanta questões ambientais. José Muñiz, frequentador assíduo desde os anos 90, lamenta a sujeira deixada na areia, especialmente na zona norte, com canudos, restos de comida e outros dejetos. Apesar de não falar em caos, ele ressalta a necessidade de maior cuidado para manter o equilíbrio. O comércio local sente a mudança: enquanto alguns bares e restaurantes celebram o fluxo, outros notam que grupos jovens, apesar de numerosos, consomem menos. A noite, um capítulo central do verão, ferve com festas organizadas por produtoras de Buenos Aires em locais icônicos. A Praia do Rosa se encontra em um ponto de inflexão, buscando sustentar seu espírito único enquanto se adapta a uma nova geração de visitantes que parece ter chegado para ficar.

