Premier Canadense Em Davos: “sem Estar à Mesa, Você é O Menu” Em Nova Era De Rivalidade Global

Premier canadense em Davos: “Sem estar à mesa, você é o menu” em nova era de rivalidade global

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Em um discurso que ecoou pelos corredores do Fórum Econômico Mundial em Davos, o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, proferiu uma mensagem contundente sobre o estado atual da ordem global. Diante de líderes mundiais, Carney declarou o fim da era de hegemonia americana e classificou o momento como uma “ruptura”, não apenas uma transição. A análise, embora sem mencionar diretamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, abordou o impacto significativo de sua política externa nos assuntos globais.

O fim de uma era e a ascensão de potências médias

Carney, que desde o início de seu governo em março do ano passado tem alertado sobre a impossibilidade de um retorno à normalidade pré-Trump, reforçou sua visão em Davos. Ele destacou que as grandes potências estão utilizando cada vez mais seu poder econômico como ferramenta de pressão, o que exige uma adaptação por parte de nações como o Canadá. O premier salientou que, embora o Canadá tenha se beneficiado da “hegemonia americana”, o cenário atual demanda uma nova estratégia.

O discurso ocorreu em um momento de tensões internacionais elevadas, com Trump reiterando ameaças de tarifas contra aliados europeus e demonstrando ambições territoriais. Carney enfatizou a realidade de uma “era de rivalidade entre grandes potências”, onde a ordem baseada em regras está se esvaindo. Sua analogia “se não estivermos à mesa, estaremos no cardápio” ressoou como um chamado à ação para as potências médias, incluindo Austrália, Argentina, Coreia do Sul e Brasil, para que ajam em conjunto.

A necessidade de defender interesses e a crítica à complacência

O primeiro-ministro canadense não poupou críticas à tendência de alguns países em ceder para manter a harmonia ou evitar conflitos. “Para se acomodarem. Para evitarem problemas. Para esperarem que a conformidade lhes garanta segurança. Não garantirá”, afirmou Carney, incentivando uma postura mais assertiva na defesa dos próprios interesses nacionais. Essa postura foi ecoada pelo presidente francês, Emmanuel Macron, que condenou as ameaças de tarifas de Trump como um “acúmulo interminável e inaceitável”.

O contexto do discurso de Carney foi marcado por ações recentes de Trump, incluindo a publicação de uma montagem que sugeria a anexação de territórios vizinhos. As políticas comerciais de Trump, que impuseram tarifas ao Canadá, um dos principais parceiros comerciais dos EUA, têm impactado setores chave da economia canadense. Analistas apontam que, apesar dos esforços de Carney em buscar novos acordos comerciais, como o firmado com a China, nenhum parceiro isolado poderá substituir rapidamente a influência dos Estados Unidos na economia e segurança canadense.

Um Canadá buscando autonomia em um mundo em transformação

A intensa atividade diplomática de Mark Carney, com viagens focadas na garantia de novos acordos comerciais, reflete a busca do Canadá por maior autonomia em um cenário global volátil. A “parceria estratégica” declarada com a China sinaliza uma nova abordagem nas relações internacionais do país. No entanto, a dependência histórica dos Estados Unidos apresenta um desafio complexo, especialmente sob a liderança de um presidente considerado imprevisível e, por vezes, ameaçador. A mensagem de Carney em Davos foi, portanto, um alerta e um convite à resiliência e à cooperação entre nações de porte semelhante diante das incertezas do século XXI.

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