Trump anuncia ‘Conselho de Paz’ em Davos
Durante sua participação no Fórum Econômico Mundial em Davos, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apresentou nesta quinta-feira (23) o seu novo projeto: o “Conselho de Paz”. O órgão tem como objetivo inicial consolidar o cessar-fogo em Gaza e administrar o território palestino de forma interina. No entanto, Trump sugeriu que o conselho pode assumir um papel mais amplo na resolução de conflitos em escala global, o que já gera preocupações entre outras potências mundiais e as Nações Unidas.
Críticas à ONU e potencial do novo órgão
Em seu discurso, Trump aproveitou para criticar a atuação da ONU em conflitos internacionais. “Eu acabei com oito guerras e nunca precisei falar com as Nações Unidas sobre isso. Eles poderiam ter acabado com essas oito guerras, mas não conseguiram”, declarou o presidente americano, ressaltando que a organização possui “tremendo potencial que não tem sido totalmente aproveitado”. Apesar das críticas, Trump afirmou que o “Conselho de Paz” poderá trabalhar em colaboração com a ONU.
Expansão de escopo e adesão de países
Originalmente concebido para supervisionar a reconstrução de Gaza, uma versão preliminar da carta do conselho não limita seu escopo ao território palestino, adicionando mais um ponto de controvérsia, como o custo de US$ 1 bilhão para adesão permanente. Um alto funcionário da Casa Branca informou que cerca de 35 líderes mundiais já se comprometeram a participar, incluindo aliados do Oriente Médio como Israel, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Jordânia, Catar e Egito. Membros da OTAN como Turquia e Hungria, além de Marrocos, Paquistão, Indonésia, Kosovo, Uzbequistão, Cazaquistão, Paraguai e Vietnã, também concordaram em integrar o conselho.
Reações e divisões entre aliados
A resposta de alguns convidados tem sido cautelosa, como no caso do Brasil, que ainda não deu uma resposta definitiva. A formação do conselho já reflete divisões entre os aliados dos EUA, especialmente com potências europeias. Noruega, Suécia e França rejeitaram a participação, enquanto a Itália, segundo a imprensa local, também não deve aderir. Alemanha e Espanha afirmaram estar avaliando a proposta. Essas recusas evidenciam um racha na relação de Trump com aliados europeus, intensificado por declarações anteriores do presidente americano sobre a possível anexação da Groenlândia.

