Dívidas Fiscais e Trabalhistas Levam Pavilhão a Leilão
O icônico Pavilhão da Feira de São Cristóvão, um dos mais importantes centros de tradições nordestinas fora da região Nordeste, está prestes a ser leiloado. A decisão, determinada pelo Tribunal Regional do Trabalho, visa saldar dívidas fiscais e trabalhistas da Riotur, órgão municipal responsável pelo espaço. O lance mínimo para o leilão, marcado para 25 de fevereiro, é de aproximadamente R$ 25 milhões, conforme noticiado pelo RJ TV2.
Futuro Incerto para Lojistas e Frequentadores
A notícia do leilão gerou apreensão entre os milhares de lojistas e frequentadores que mantêm viva a cultura nordestina no pavilhão. O edital do leilão, elaborado pela própria Riotur, não especifica se o Centro de Tradições Nordestinas permanecerá no local após a venda. Essa omissão aumenta a insegurança sobre o futuro do espaço, que é reconhecido como patrimônio cultural e imaterial da cidade do Rio de Janeiro.
Tombamento Garante Proteção Legal à Feira
Apesar da incerteza, o vereador Vitor Hugo, presidente municipal do MDB e autor da lei que determinou o tombamento da feira, assegura que a tradição não poderá ser removida. “A feira é tombada, é um patrimônio da cidade do Rio de Janeiro. Não pode sair dali”, afirmou Hugo. Ele acredita que o tombamento, que visa justamente a preservação da feira, dificultará a venda do imóvel, uma vez que o interesse econômico se concentraria apenas no terreno. O vereador também informou que está articulando um encontro entre os gestores da feira e o prefeito Eduardo Paes.
Um Legado de Mais de 80 Anos de Tradição
A Feira de Tradições Nordestinas tem suas raízes em mais de 80 anos de história, celebrando a chegada de migrantes do Nordeste ao Rio de Janeiro. Inicialmente um ponto de encontro para venda de produtos e troca de notícias, o espaço evoluiu com a construção do Pavilhão de São Cristóvão nos anos 1960, consolidando-se como um centro de comércio e lazer. Em 2003, foi oficialmente instituído como Centro Municipal Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas. O reconhecimento como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo Iphan, em 2021, reforça a importância histórica, social, turística e gastronômica do local, que hoje ocupa cerca de 37 mil metros quadrados e abriga centenas de estabelecimentos e apresentações culturais.

