Um Mestre do “Ruim, mas Bom”
As histórias de Harlan Coben são conhecidas por serem cheias de suspense, e embora possam ser previsíveis, o público embarca nelas sabendo o que esperar: uma trama de fácil consumo, repleta de reviravoltas, algumas delas beirando o mirabolante. A mais recente adaptação do escritor para o streaming, “Custe o que custar”, não foge à regra. Lançada na Netflix no primeiro dia do ano, a série britânica escalou rapidamente o ranking das mais assistidas do serviço.
Com um fã-clube numeroso e ativo no Brasil, Coben é frequentemente chamado de “mestre do mistério”. Talvez seja mais justo defini-lo como um especialista na criação de séries que se encaixam na categoria do “é ruim, mas é bom”. E “Custe o que custar” é um exemplo perfeito dessa fórmula.
A Trama Envolvente de “Custe o que Custar”
A série, ambientada em Londres e com oito episódios, mistura ingredientes manjados e explosivos: drama familiar, segredos do passado, traumas de infância, uma seita, um toque de violência e a onipresença das redes sociais. Acompanhamos Simon (James Nesbitt), um bem-sucedido consultor financeiro casado com a pediatra Ingrid (Minnie Driver), com quem tem três filhos. A fachada de família sólida desmorona quando descobrimos que a filha mais velha, Paige (Ellie de Lange), desapareceu há meses. Viciada em drogas e afastada da família, Paige se tornou um caso perdido para a mãe, mas o pai nunca desistiu de encontrá-la. Essa obstinação de Simon é o motor que impulsiona o enredo.
Reviravoltas e Exageros Marcantes
A ação se intensifica quando Simon avista Paige em um parque. Ao tentar se aproximar, ele agride o namorado da filha, um indivíduo violento. A cena é filmada por transeuntes, viraliza nas redes sociais e coloca Simon na mira da polícia. Paralelamente, conhecemos Elena (Ruth Jones), uma detetive investigando o desaparecimento de um rapaz, e cujas tramas se entrelaçam com a de Simon, aprofundando o mistério.
Embora a atriz Ruth Jones seja ótima, sua performance, assim como a de James Nesbitt, tende a cair em excessos e exageros. Nesbitt, que começa bem, vai gradualmente aperfeiçoando suas caretas e acumulando excentricidades a cada episódio. A série opta por truques baratos e reviravoltas convenientes, distanciando-se de enigmas que exigem raciocínio complexo, como nas obras de Poirot ou Holmes. O foco está mais em prender a atenção do espectador com uma profusão de ganchos do que em construir uma narrativa psicologicamente densa.

