Novos documentos sobre o caso Jeffrey Epstein, divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, revelam novas conexões e opiniões sobre figuras políticas brasileiras. Entre as divulgações, destacam-se elogios ao ex-presidente Jair Bolsonaro e menções ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, registradas em troca de e-mails e mensagens.
Em outubro de 2018, período próximo ao primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras, o financista Jeffrey Epstein enviou uma mensagem a Steve Bannon, ideólogo da extrema-direita e ex-estrategista de Donald Trump. Na ocasião, Epstein elogiou a postura de Bolsonaro em relação a refugiados e à economia. “Bolsonaro mudou o jogo. Nenhum refugiado quer entrar. Bruxelas não lhe diz o que fazer. Ele só precisa reativar a economia. MASSIVO”, escreveu Epstein. Bannon, por sua vez, demonstrou interesse em se tornar conselheiro de figuras políticas brasileiras, algo que Epstein comparou a um argumento de “reino no inferno”. Naquele mesmo ano, Bannon declarou apoio a Bolsonaro.
Chomsky defendia Lula e criticava acusações
As novas informações também incluem comunicações entre Epstein e o linguista Noam Chomsky. Em setembro de 2018, Chomsky mencionou em um e-mail a Epstein seu envolvimento com o movimento “Lula Livre”, relatando ter visitado o ex-presidente na prisão com sua esposa, Valeria. Chomsky chegou a classificar Lula como o “prisioneiro político mais importante do mundo” e considerou as acusações contra ele “risíveis”. Segundo os arquivos, Chomsky teve longas conversas com Epstein e foi convidado a frequentar as residências do financista.
Controvérsias e negações sobre ligações passadas
Em documentos divulgados anteriormente, já haviam surgido menções a autoridades brasileiras. Uma conversa entre Epstein e Bannon indicava que Chomsky teria ligado a Epstein com Lula diretamente da prisão. Na ocasião, Bannon teria dito para que Epstein dissesse a Lula que “meu cara [Bolsonaro] ganhará no primeiro turno”, ao que Epstein teria respondido que “Bolsonaro é o cara”. O governo brasileiro, na época, negou a ocorrência dessa ligação. Valeria Chomsky, esposa de Noam Chomsky, desmentiu a versão em entrevista à CNN Brasil, afirmando que ela e o marido deixaram seus celulares na recepção da Polícia Federal durante a visita, tornando a alegação inverídica.
O caso Jeffrey Epstein e suas ramificações
Jeffrey Epstein, bilionário que fez fortuna no mercado financeiro, foi condenado por comandar uma rede de tráfico sexual, com crimes envolvendo menores de idade. O centro de suas atividades ilícitas era uma ilha particular nas Ilhas Virgens Americanas, conhecida como “Lolita Express”, onde recebia convidados em seu avião particular. Epstein morreu em 2019 em uma prisão de Nova York, aguardando julgamento, em um caso classificado como suicídio. Documentos anteriores já haviam exposto os vínculos de Epstein com personalidades influentes, incluindo ex-presidentes dos Estados Unidos. As novas divulgações também contêm uma denúncia de abuso sexual contra Donald Trump, que teria ocorrido há 35 anos contra uma adolescente de 13 anos, ainda sob investigação quanto à sua veracidade e apuração.

