Falha na proteção de vítimas
Uma nova leva de documentos relacionados ao caso do financista Jeffrey Epstein, acusado de abuso de menores e de comandar uma rede de tráfico humano, trouxe à tona uma falha grave por parte do Departamento de Justiça dos EUA. De acordo com um levantamento do Wall Street Journal, os nomes de 43 vítimas, incluindo menores de idade na época dos abusos, não foram omitidos nos documentos divulgados. Em um dos casos mais chocantes, uma menor de idade teve 160 citações de seu nome, acompanhadas de detalhes sigilosos como contas de e-mail e endereços residenciais.
Advogados que representam as vítimas afirmaram ter entregado uma lista com 350 nomes que deveriam ser mantidos em sigilo, mas o Departamento de Justiça falhou em protegê-los. “Nós os notificamos do problema dentro de uma hora após a divulgação”, declarou Brad Edwards, um dos advogados, ao WSJ. “Foi reconhecido como um erro grave; não há desculpa para não corrigi-lo imediatamente, a menos que tenha sido feito intencionalmente.” A lei que determina a divulgação dos documentos obriga a omissão dos nomes e a proteção de imagens de todas as vítimas antes da publicação.
Imagens perturbadoras e indignação
Além dos nomes, centenas de imagens das vítimas foram divulgadas sem a devida ocultação de seus rostos. Algumas fotos mostram mulheres nuas em locais associados aos abusos, como a ilha particular de Epstein no Caribe e propriedades do financista. “É difícil imaginar uma forma mais flagrante de não proteger as vítimas do que disponibilizar imagens delas completamente nuas para download no mundo todo”, disse Annie Farmer, uma das vítimas, ao New York Times. “É extremamente perturbador.” Advogados das vítimas descreveram a forma como os documentos foram liberados como “abominável” e uma nova forma de violência, desta vez “pelas mãos do Estado”.
Respostas e questionamentos
O Departamento de Justiça reconheceu os erros, mas minimizou a extensão do problema, afirmando que correspondem a “0,001% de todos os materiais”. “Sempre que recebemos uma mensagem de uma vítima ou de seu advogado informando que acreditam que seu nome não foi devidamente ocultado, corrigimos isso imediatamente”, declarou Todd Blanche, número dois do órgão. Para as vítimas, no entanto, a explicação não foi convincente. “Estamos francamente chocadas com o nível de descaso que o departamento demonstrou em relação a essas mulheres”, afirmou Brittany Henderson, advogada de uma das vítimas.
O legado de Epstein e o envolvimento de figuras públicas
Jeffrey Epstein morreu em 2019, antes de ser julgado. No entanto, suas conexões com a elite econômica e política dos EUA continuam a gerar polêmica. A nova leva de documentos, com mais de 3 milhões de páginas, expõe a proximidade de Epstein com ex-presidentes, ex-primeiros-ministros, CEOs e outras figuras influentes. Donald Trump, citado mais de mil vezes nos documentos, enfrenta antigas acusações de abuso de menores, que ele nega. O caso Epstein segue alimentando discursos políticos e teorias da conspiração, levantando questionamentos sobre a moralidade e as relações dentro dos círculos de poder.

