Divergências sobre o momento da mudança do índice de inflação levam à saída de Marco Lavagna do Indec.
O titular do Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec) da Argentina, Marco Lavagna, renunciou ao cargo que ocupava desde 2019. A decisão, confirmada pelo ministro da Economia, Luis Caputo, ocorreu devido a divergências com o governo sobre o momento ideal para aplicar uma nova metodologia de cálculo da inflação.
Nova metodologia visava refletir hábitos de consumo modernos.
A saída de Lavagna acontece em um momento em que o país se preparava para atualizar o índice oficial de inflação. O objetivo da nova metodologia, elaborada sob a gestão de Lavagna, era refletir de forma mais precisa os atuais hábitos de consumo dos argentinos. Um primeiro resultado com o novo indicador estava previsto para ser divulgado em 10 de fevereiro.
Governo Milei adia implementação para evitar questionamentos sobre a queda da inflação.
O ministro Luis Caputo explicou que Lavagna desejava implementar o novo índice de preços ao consumidor imediatamente. No entanto, o presidente Javier Milei e sua equipe consideraram que a mudança deveria ocorrer apenas após a consolidação do processo de desinflação. A queda da inflação, que passou de 211,4% em 2023 para 31,5% em 2025, é apontada pelo governo como um dos principais sucessos de sua gestão. Caputo afirmou que a manutenção da metodologia atual visa evitar questionamentos sobre a queda da inflação, declarando: “Como nós estamos muito confiantes de que a inflação vai cair, não queremos dar motivo para que depois digam: caiu porque mudaram o índice”.
Pedro Lines assume a direção do Indec; Lavagna tinha proximidade com Sergio Massa.
As razões da renúncia de Lavagna não haviam sido divulgadas inicialmente. Com sua saída, o Indec passa a ser comandado por Pedro Lines, que era o diretor-técnico e número dois da entidade. Marco Lavagna, economista, é conhecido por sua proximidade com o líder opositor peronista e ex-candidato presidencial Sergio Massa. Sua permanência no Indec após a posse de Milei, em dezembro de 2023, havia sido interpretada como um sinal de transparência e credibilidade do órgão.
Mudanças na metodologia buscavam modernizar o cálculo do índice.
A metodologia anterior do Indec utilizava uma cesta de preços baseada em 2004, sem abranger despesas com serviços como telefonia móvel, internet ou TV a cabo. A nova metodologia, por sua vez, seria fundamentada na pesquisa de renda e gastos das famílias de 2017-2018 e ajustada às recomendações internacionais. No final de 2023, o Indec já havia registrado outras renúncias em meio a um conflito relacionado a baixos salários.

