Uma investigação conduzida pelo Conselho Fiscal do São Paulo Futebol Clube revelou que o ex-presidente Júlio Casares utilizou o cartão corporativo para acumular quase R$ 500 mil em gastos pessoais durante sua gestão, que se estendeu de 2021 até sua renúncia em janeiro deste ano. Entre as despesas identificadas estão serviços de cabeleireiro e compras em lojas de grife, conforme informações do Ge e Estadão Conteúdo.
Devolução Tardia e Falta de Política
Segundo a apuração, Casares devolveu o montante, acrescido de correção monetária e juros, apenas no segundo semestre do ano passado. Essa devolução ocorreu em um período que coincidiu com o agravamento da crise financeira e administrativa no clube. A investigação destaca que, desde o início da gestão de Casares, nenhum órgão do São Paulo havia solicitado prestação de contas sobre o uso do cartão corporativo, uma vez que não existia uma política clara que estabelecesse prazos para a devolução de tais valores.
Foi somente após a devolução do dinheiro que o diretor de compliance do clube, Roberto Armelin, implementou uma nova diretriz específica para o uso e controle dos cartões corporativos. Internamente, há quem argumente que o Código de Ética e Conduta do São Paulo já oferecia orientações suficientes para um uso responsável, levantando críticas à ausência de fiscalização e cobrança por parte do diretor financeiro, Sergio Pimenta.
Posicionamento do Clube e Investigações em Curso
Em nota oficial, o São Paulo confirmou que o departamento financeiro identificou a necessidade de aprimorar o processo de acompanhamento das despesas e que o setor de compliance solicitou a elaboração de uma nova política para o uso dos cartões. O clube também confirmou a devolução dos valores por Casares, com a adição de juros e correção monetária.
A revelação sobre os gastos de Casares ocorre em um cenário de diversas investigações. O ex-presidente renunciou ao cargo em janeiro deste ano em meio ao avanço de uma força-tarefa do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Civil, que apura um suposto esquema de desvio de verbas no clube. Entre os inquéritos, destacam-se saques de R$ 11 milhões na boca do caixa pelo São Paulo e depósitos de R$ 1,5 milhão em dinheiro vivo na conta de Casares. O clube alega que o dinheiro era para despesas de jogos, e Casares assegura que os valores têm lastro.
Outros Inquéritos e o Legado da Gestão
Além do caso do cartão corporativo, outras investigações em curso abordam o uso irregular de espaços do clube, como o camarote 3A no estádio MorumBis, e supostas cobranças indevidas a concessionários do São Paulo. O episódio do cartão corporativo adiciona mais um capítulo às turbulências enfrentadas pela antiga diretoria do Tricolor Paulista.

