Investigação Concluída, Controvérsias Permanecem
A Polícia Civil de Santa Catarina concluiu as investigações sobre a brutal morte do cão comunitário Orelha, ocorrida em janeiro deste ano. Um adolescente de 15 anos foi indiciado sob suspeita de ter agredido o animal, que foi encontrado agonizando e não resistiu aos ferimentos. A agressão teria ocorrido com um objeto contundente na cabeça de Orelha. Apesar do indiciamento, o caso está longe de um desfecho definitivo, com a defesa do adolescente apresentando argumentos que contestam a versão policial.
Evidências e Contestações da Defesa
Segundo a polícia, imagens de câmeras de segurança flagraram o adolescente no local e momento da agressão. O moletom e o boné que ele usava foram apreendidos. A polícia alega que a família tentou esconder o boné e que o adolescente mentiu em seu depoimento, afirmando estar em casa quando as câmeras o registraram na rua. No entanto, a defesa do jovem nega veementemente que ele tenha agredido Orelha. Os advogados afirmam que não há imagens que mostrem o cão próximo ao adolescente e que ele estava acompanhado de uma amiga durante todo o período registrado pelas câmeras, conversando sobre assuntos pessoais. A omissão sobre a ida à praia, segundo a defesa, foi por “esquecimento”, e a viagem à Disney, onde o adolescente foi apreendido, já estava “pré-agendada”.
Próximos Passos: Ministério Público Decide
O inquérito policial foi encaminhado ao Ministério Público, que agora tem a prerrogativa de decidir os próximos passos. A Promotoria pode optar por arquivar o caso, devolver as investigações à Polícia Civil para aprofundamento ou, se considerar as provas suficientes, oferecer a remissão (uma forma de perdão) ou propor uma ação de apuração de ato infracional, que seria o equivalente a um processo penal para menores de idade.
Repercussão e O Contexto Mais Amplo
O caso Orelha gerou grande comoção nacional e reações intensas nas redes sociais. O inquérito inicial investigou treze adolescentes, e quatro deles tiveram suas imagens divulgadas online, sendo associados à morte do cão. O adolescente indiciado é um dos que teve sua identidade exposta publicamente. As repercussões do caso foram tema de reportagem na edição nº 2981 da revista VEJA, evidenciando o impacto social e midiático do evento.

